Curiosos, alguns visitantes do Parque Eduardo Gomes apenas observaram do lado de fora, sem coragem para entrar. O que haveria dentro de uma tenda branca, bem no meio do parque, cheia de rendas e tecidos com manchas vermelhas, que mais pareciam sangue? A dúvida de muitos foi vencida pela curiosidade do mecânico de aeronaves Leandro Palermo, 49 anos. Passando pelo local, ele resolveu entrar e conferir o que havia na tenda que exalava um cheiro forte de erva-mate. O resultado foi uma experiência intrigante. "Me lembra a guerra, a revolução como um todo. É realmente fascinante". Leandro se referiu aos tecidos colocados em uma tenda transparente denominada "Fator RS", uma alusão ao sangue derramado por aqueles que lutaram na revolução. Em tiras de renda e outros materiais, cavalos, mãos e outros rastros foram pintados por artistas plásticos. Tudo para remeter o visitante ao ano de 1835, época do início da guerra.
De acordo com Fernando Lima, gerente de artes visuais da Secretaria de Cultura do município, a mostra "Exposição Interativa do Arquivo Temporário" traz a percepção de vários artistas canoenses sobre o que foi a revolução e o que ela significa até hoje no Estado. "É um resgate das tradições com elementos que nos fazem viajar no tempo, entendendo as consequências de uma guerra sangrenta e ao mesmo tempo vitoriosa", ressalta. Lima destaca o uso das rendas, uma alusão ao universo feminino. "É uma justa homenagem às mulheres que comandavam as estâncias enquanto os filhos, irmãos e maridos lutavam". O cheiro de erva mate é proposital. "Impregnamos a tenda com a erva, para que a sensação farroupilha seja captada por todos os sentidos", revela.
Sensação que foi perfeitamente compreendida pelo auxiliar de logística Filipe da Costa, 22 anos. "Trouxe minha prima para olhar a mostra e me emocionei. Como sou estudioso de cavalos, me encantei com os animais estilizados nos tecidos. É realmente uma obra prima", ressaltou ele.
Cris Weber