Ela mora na cidade há três anos e transformou uma calçada na Rua Ipiranga em uma casa improvisada. Identificada como Rosângela de Oliveira, ela fechou a calçada junto à esquina da Rua Cândido Machado e por ali espalhou colchões, cobertores, roupas e outros utensílios. O caso da moradora de rua inspira cuidados por se tratar de uma pessoa com provável transtorno mental, encaminhada várias vezes para o albergue municipal. Em todas as ocasiões, ela permanecia menos de 24h e depois desaparecia. De acordo com a assistente social Janete Matos, da Diretoria de Proteção Social Especial, o histórico da moradora é preocupante. Na ficha de Rosângela consta que em todas as vezes que foi encaminhada, ia sob contrariedade. Nas poucas vezes em que foi, recebia prescrição de medicamentos mas não tomava. "Ela não poderia ficar na rua com os remédios e por isso insistíamos para que ela permanecesse no albergue, o que não acontecia".
Até mesmo a elaboração dos documentos se torna difícil, uma vez que a moradora não aceita o encaminhamento. "Tentamos tirar ela da calçada, mas fomos recebidos de forma agressiva em algumas vezes". Quando o veículo da Secretaria se aproximava, ela já fazia menção de que não entraria no carro. Janete ressalta que são promovidos encontros periódicos com representantes da Secretarias de Esportes, Saúde e Meio Ambiente, a fim de discutir a situação destes moradores de rua. "Há vagas no albergue, contanto que as pessoas se disponham a isso".
Para minimizar o problema, está sendo elaborado o projeto "Um Novo Olhar para a Rua", no sentido de disponibilizar políticas públicas para amenizar o quadro. O objetivo, de acordo com a diretora do departamento, Loiva Dietrich é reconhecer a população de rua em sua dignidade e diversidade, através da garantia de acesso às políticas sociais por meio de serviços, benefícios programas e projetos, que possibilitem uma redução de pobreza. Hoje, os moradores têm acesso ao serviço público de postos e hospitais, inclusive nos Centros Atendimento de Psico Social (CAPS) do município. A ideia é ampliar este atendimento para estas necessidades especiais, em casos críticos de transtornos psicológicos. Sobre Rosângela, as secretarias de Desenvolvimento Social e Saúde estudam a melhor a solução neste caso, para em breve retirar a mulher da rua e levá-la para um local digno.
Cris Weber