A história de Célia Azambuja, 64 anos, é cheia de desafios. Mas para quem luta por um sonho, qualquer dificuldade se torna transponível. Há 20 anos, ela esperava pela chance de ter um lugar próprio para viver com o marido, Hélio Lemos, 72 anos. Morando de favor nos fundos da casa da cunhada, Célia se inscreveu há alguns anos no Programa de Arrendamento Residencial (PAR) do município. E a espera foi tanta que quando recebeu a ligação das servidoras da Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Habitação, mal se deu conta do que estava acontecendo: disse para a agente que não se inscreveu em programa algum. "Só depois me dei por conta do assunto quando elas confirmaram meu nome na lista, acho que fiquei em estado de choque. Já pensou se eu tivesse desligado o telefone? Não me perdoaria!", disse ela, agora rindo da situação. O sorriso dá lugar a uma série de dificuldades que o marido enfrenta, já que é deficiente físico e precisa de um imóvel adaptado. "Vamos morar no térreo, em um imóvel com barras de ferro no banheiro, o que vai facilitar muito a nossa vida. Estamos muito felizes".
Mesma felicidade que sentiu o vigilante Luis Francisco Fernandes Júnior, 25, que subiu ao palco do evento representando os demais contemplados no Residencial Ipês, entregue nesta sexta-feira, 18. Emocionado, ele resume o que significa o apartamento em única palavra: tudo. "Quero ser feliz aqui e desejo que todos os meus vizinhos também sejam. Começa uma nova etapa nas nossas histórias", afirmou ele, bastante aplaudido. Luis passou recentemente no concurso para Policial Militar e vai morar na residência com a esposa e a filha. "É tudo novo na minha vida".
Uma contemplada, porém, estava cabisbaixa quando chegou. Recepcionista em uma empresa de Canoas, Gisele Gross dos Santos, 25 anos, parecia não acreditar quando soube que era suplente e que teria que contar com uma desistência para ter o imóvel. E parece que a sorte estava mesmo ao lado dela. Uma vaga acabou surgindo e jovem entrou na lista oficial. Feliz com a notícia, ela comemorou com abraços no marido Christian a saída da casa da mãe. "Isso está mesmo acontecendo? Não estou acreditando que consegui", disse ela, feliz como as outras 220 famílias que começam a pensar em novos planos daqui para frente.
Cris Weber