Maximiliano Flores Cavalheiro, 34 anos, é operador aeroportuário e estuda espécies de peixes há muitos anos. Apesar de desempenhar uma função completamente diferente da agricultura e da piscicultura, resolveu aumentar a renda com um negócio cada vez mais rentável e que registra carência no mercado: a criação de diversas espécies. Por isso, se inscreveu no curso ministrado pelo Serviço Nacional da Aprendizagem Rural (SENAR) e escritório da Emater em Canoas. As aulas, ministradas gratuitamente para ensinar a interessados os princípios básicos da criação de peixes, começaram na segunda-feira e encerram hoje, com duração de 24hs. "Pretendo construir um tanque e depois disponibilizar um açude para isso. Em um primeiro momento venderei in natura, mas depois passarei ao produto industrializado", ressalta Maximiliano.
De acordo com o professor e engenheiro agrônomo José Gilberto Weide, as principais lições dizem respeito à criação de diversas espécies de carpas, que podem conviver no mesmo açude ou tanque rede e representam 89% da piscicultura no Estado. "A carpa é um peixe rentável e falta oferta no mercado. O ambiente do sul é propício para a criação, por isso incentivamos este tipo de cultura", destaca. Para ele, investir em várias espécies, no chamado policultivo, é bastante viável e pode ajudar na renda de famílias até então acostumadas somente com a agricultura. "O mercado está pronto para receber pessoas que sejam especializadas na criação. Por isso, fechamos o curso com noções sobre economia e comércio destes peixes".
A engenheira agrônoma e extencionista rural da Emater, Ana Helena Barbieri, afirma que a possibilidade do curso surgiu após uma série de reuniões com os agricultores, muitos deles vítimas de geadas e períodos de seca no Estado. "Quando as pessoas se limitam ao cultivo de legumes e verduras, acabam tendo prejuízos irreversíveis. Por isso, queremos abrir este leque de possibilidades a estes agricultores", ressalta. Nos próximos meses, outros cursos serão ministrados, com o intuito de ensinar aos inscritos o processamento do peixe e noções de preservação ambiental.
Atento aos ensinamentos, o motorista e agricultor Manoel José Venâncio F°, 58 anos, percebeu que estava cometendo alguns erros na criação de carpas que mantém há três anos. Para ele, que chega a comercializar 300 carpas na Semana Santa, esta é uma oportunidade de melhorar e ampliar a cultura. "Hoje crio para distribuir à minha família, mas no futuro posso pensar em me sustentar com este negócio".
Cris Weber