Debatedor da mesa desta quinta-feira no seminário que discute o mercado de trabalho, o presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT) no Estado, Celso Woyciechowski, acredita que o evento é uma forma para discutir diversos temas, incluindo a precariedade do sistema, além do trabalho infantil e escravo. Celso lembra que, recentemente, um município do Rio Grande do Sul registrou casos da exploração do trabalho em regime de escravidão em uma carvoaria, onde trabalhadores eram expostos a condições precárias e humilhantes. E acrescenta: "Escravidão também significa um banco de horas infindável, onde o trabalhador não recebe a remuneração adequada".
Celso apontou ainda que a informalidade é um tema delicado, que deve ser discutido à exaustão. "Na região metropolitana, precisamos incluir milhares de trabalhadores com políticas públicas para a formalização destes empregos, como o de pedreiro, por exemplo". Além disso, o representante do movimento acredita que uma nova plataforma de orientação do sistema financeiro deveria ser instituída, a fim de ampliar os pequenos negócios. "Os bancos devem facilitar o capital de giro para estas pequenas empresas, muitas vezes fonte de renda para famílias inteiras".
Celso acredita que a qualificar-se profissionalmente é necessário, mas é preciso criar postos de trabalho que absorvam esta qualificação. Ele ressalta que o governo brasileiro tem possibilitado acesso a este aprendizado, em programas como o Pró Jovem e as escolas técnicas. "Mas o ensino, de forma isolada, não garante nada. Se logo após este aprendizado o cidadão não tiver um emprego, ficará sem esperança de mudar sua realidade".
Ele destaca que a economia solidária é uma alternativa que deve ser respeitada, desafiando um aumento no corporativismo. "Não podemos achar que este tipo de economia significa tão somente a colocação de uma barraca de vendas. É um trabalho que vai muito além disso", finaliza.
Cris Weber