Convidado especial do Seminário que começou na tarde desta quinta-feira, o presidente do Instituto de Pesquisa Aplicada, Márcio Pochmann, abriu sua explanação afirmando que há cerca de 15 anos, somente o indivíduo seria responsável pela sua vaga no mercado de trabalho, pois cada cidadão tinha uma limitação de responsabilidades. Hoje, a demanda do século 21 é a universalização do ensino superior, em um momento de construir uma nova sociedade pós-industrial. O trabalho continuará sendo a base da renda e da riqueza, mas não deve ser realizado unicamente pela sobrevivência. "O emprego deve gerar satisfação, com o exercício da criatividade e do conhecimento, proporcionando um bem estar não só individual como coletivo", ressalta.
Márcio abordou a revolução tecnológica, que trouxe a esperança de que tudo mudaria e haveria mais tempo para passar com a família. Para ele, pura ilusão. "Hoje, estamos trabalhando demais, sonhamos com nossos trabalhos, dormimos mal e mal temos tempo para nossos filhos. Esta é a comodidade prometida?", questiona. Além disso, o especialista afirma que o estudo associado ao trabalho traz a falsa ideia de conhecimento, que passa a ser superficial. "Não temos tempo para ler um único livro e queremos acumular cada vez mais funções. Isso não é conhecimento". Durante sua fala, lançou uma polêmica que admitiu ser utópica, porém não impossível. "O ideal seria trabalharmos no máximo 12h por semana e não 16h por dia. Pode ser só um sonho, mas a redução da jornada de trabalho traria de volta uma qualidade de vida perdida". Hoje, de acordo com ele, 44% dos ocupados no mercado trabalham mais de 44h semanais.
O presidente do Instituto projeta que dada a redução de natalidade, a população no mundo inteiro irá diminuir, estatística alavancada pela "sociedade do tempo", onde as pessoas são pressionadas o tempo inteiro a consumir infinitamente. "A casa de 100 anos atrás era um local de sociabilidade e de vida comum. Hoje, são três vezes maiores onde habitam duas ou três pessoas. Um cenário de depósito onde guardamos tudo o que dizem que precisamos comprar", alerta.
Cris Weber