O diretor da Secretaria Nacional de Economia Solidária vinculado ao Ministério do Trabalho, Dione Manetti, foi conferencista neste segundo e último dia do Seminário "Economia e Mercado de Trabalho: desafios e oportunidades contemporâneos" promovido pelo comitê municipal de emprego e renda e realizado no Centro Universitário LaSalle. Manetti iniciou sua fala abordando uma aproximação direta do governo com as estatísticas sociais, antes controladas por empresas da iniciativa privada. "Quando iniciamos o governo e tentamos quebrar os contratos, como o domínio de dados do Cadastro geral de empregados e desempregados nacional, por exemplo, o que se ouviu como resposta foi que a empresa nos venderia o banco de dados. Um absurdo completo", ressalta.
O especialista afirma que o país vive um momento único, em um conjunto de políticas públicas a longo prazo, firmando laços com setores menos favorecidos da sociedade. "Na nossa opinião não existe povo pobre e sim povo empobrecido, que foi destituído de seus direitos básicos". Ele afirma que a relação da economia solidária com o sistema nacional de trabalho e emprego é eficiente, mas por enquanto frágil. "Este tipo de economia é um tema muito recente, com roupagem e identidade que se instalaram no país no final dos anos 80. Ainda há muito o que se discutir".
Manetti lembra que o desenvolvimento de emprego e renda fico atrelado à administração pública. Por isso, momentos como este, de discussão, abrem a possibilidade de soluções. Hoje, ele acredita que é preciso oportunizar uma escolha a cada cidadão. "Cada pessoa deveria optar entre ter um chefe ou montar seu próprio negócio, se associando a outras pessoas".
Recentemente, um mapeamento da Secretaria apontou 23 mil empreendimentos de economia solidária no Brasil, gerando 2 milhões de vagas de trabalho e 8 bilhões de reais em renda. Para este ano, o destaque fica para uma rede de Centros Públicos de Economia Solidária que deve ser instalado em todo o Brasil, para funcionar como espaço de integração e articulação das políticas de economia solidária, bem como o apoio a centros já existentes. Além disso, mil catadores serão capacitados em breve no Rio Grande do Sul, para aproveitamento de resíduos solidários. Outra importante ação diz respeito a instalação de incubadoras de economia solidária em presídios, levando aos detentos uma opção de trabalho digno na busca de reinserção social.
Cris Weber