A Defesa Civil de Canoas está prestando atendimento a duas famílias do bairro Rio Branco que foram obrigadas a sair de casa por causa das fortes chuvas dos últimos dias. Sete pessoas removidas na noite de quarta-feira de residências no Dique do bairro estão alojadas temporariamente na Igreja São Jorge, na Rua Veranópolis. Além do abrigo, agentes do Programa de Saúde da Família (PSF) prestaram atendimento às quatro crianças e três adultos. A aposentada Vilma Figueiredo, 68 anos, foi atendida na manhã desta quinta-feira, 01°, no posto de saúde da localidade e liberada próximo ao meio dia. Ela levou para a Igreja os medicamentos cedidos pela farmácia básica e recebeu orientações de como tomar os remédios. Há 45 anos morando no Dique, Vilma afirma que perdeu vários bens. "Móveis e roupas a gente não tem mais esperança de encontrar na volta. É uma situação muito triste". Tanto ela como a neta estão apenas com a roupa do corpo. Um morador do dique está internado no Hospital Conceição com suspeita de leptospirose.
Na Prainha do Paquetá, um dos locais mais atingidos, a água permanece com o nível estabilizado em 3,40 m. Até o momento, não foi necessário cortar a energia dos moradores, já que os contadores de luz ainda estão cerca de 30cm acima do nível dos rios Jacuí e dos Sinos. De acordo com o presidente da Associação de moradores da Prainha, Paulo De Nilto, a situação é preocupante mas está controlada. "As pessoas têm receio do corte de energia, pois isso facilitaria a entrada de animais peçonhentos nas casas. Estamos preocupados com as novas chuvas previstas", declara. Uma mulher grávida preferiu ficar em uma residência da localidade e avisará o coordenador da Defesa Civil, Mauro Guedes, quando iniciar o trabalho de parto. "Iremos imediatamente ao local e a retiraremos de lá, para levá-la ao hospital", ressalta Guedes.
Na Avenida Berto Círio, bairro São Luis, a água invadiu casas e estabelecimentos diversos. Uma empresa de transportes está com o pátio inundado. Além disso, um depósito judicial foi saqueado porque o zelador saiu antes das cheias. Outro ponto crítico é a Rua da Barca, onde as chuvas torrenciais também causaram alagamentos. Os pontos de inundações precisam ser evitados quando não há o mínimo de proteção. Médica do UBS da Rua Boa Saúde, Letícia Klein lembra que a exposição às chuvas pode ocasionar uma série de doenças. "Estamos orientando a população para ter cuidado ao sair no pátio alagado, usando botas plásticas e tomando todos os cuidados básicos de higiene". Nesta sexta-feira, 02, a Defesa Civil buscará doações para os moradores ilhados. O órgão está recebendo materiais e alimentos na sede do Corpo de Bombeiros, na Rua Santos Ferreira, 965, bairro Marechal Rondon.
Cris Weber