Na carroça que usa para a atividade de catadora, que desempenha há 10 anos, Suelen Nunes de Oliveira chegou ao Ecoponto Guajuviras na tarde desta terça-feira, 13. Aos 23 anos, ela afirma que já perdeu vários trabalhos de limpeza em pátios por não ter onde colocar os materiais que retira. Agora, com um local específico para o descarte, Suelen espera que os demais colegas catadores tenham a mesma atitude: em vez de largar o que não serve mais em terrenos baldios, que tenham a consciência de separar o lixo no ponto, que fica em um terreno de 2.500 metros quadrados. "O que quero para minha casa quero para a cidade. Não suporto ver o lixo acumulado em vários lugares". Moradora do bairro Mathias Velho, a catadora afirma que espera com ansiedade por um espaço semelhante na região noroeste. "Não queremos mais ratos e moscas perto de casa. Se tivermos um local assim, vai ser muito bom para todos, principalmente para as crianças".
A espera de Suelen está próxima de ter um fim. Além da inauguração do 1° Ecoponto para materiais inertes do Estado, no bairro Guajuviras, os catadores ainda poderão contar com outros três pontos semelhantes. A princípio de segunda à sexta-feira - com possibilidade de abertura aos sábados - qualquer cidadão canoense pode deixar no local diversos tipos de materiais considerados inertes, como galhos, pneus, móveis, restos de materiais de construção, tudo de forma gratuita. No local, haverá sempre a presença de um funcionário, que irá separar o material recebido. A ação faz parte do choque de limpeza do município, programa que diminuiu os pontos de lixo de 98, no início do ano, para atuais 58.
De acordo com o Secretário-Adjunto de Serviços Urbanos, Vitor Labes, há 21 anos a área servia como um lixão a céu aberto. Eram mais de 40 caçambas de lixo retiradas por mês e o material dali era levado para o aterro Jorge Laner, porém sem qualquer separação. "Assim, a agressão ao meio ambiente era inevitável. Essa foi uma maneira simples de reaproveitar materiais e mostrar que espaços como estes são viáveis se há boa vontade". O sub-prefeito Chico da Mensagem, da região nordeste, lembra que este espaço deve ser preservado, como já vem acontecendo com outros pontos no bairro. "A rótula do Guajuviras é a prova de que todos querem uma cidade limpa e organizada. Basta que seja disponibilizada uma política pública para isso".
O prefeito Jairo Jorge acredita que o Ecoponto é um exemplo de que a educação ambiental é um caminho eficaz para deixar Canoas mais limpa. "Muitos acreditam que espaços como este não trazem resultado. Aqui está um local que temos certeza que dará certo". Sobre os carroceiros, principais parceiros da administração neste processo, o prefeito lembrou que em breve será lançado o programa \'Carroceiro Legal\', que irá padronizar as carroças e prestar apoio aos recicladores, com a entrega de ranchos, além de assistência veterinária para os cavalos. "Queremos o apoio destas pessoas que batalham para sustentar as famílias com este trabalho digno. Em muitos lugares, querem proibir os carroceiros de andar pela cidade. Aqui, será o contrário, pois o incentivo será constante". E teve gente que vibrou com essa parceria, cada vez mais fidelizada. Israel dos Reis Lima, 42 anos, mora no bairro Rio Branco e é catador há três anos. Para ele, o Ecoponto será um lugar de identificação do reciclador e de valorização à categoria. "Seremos reconhecidos pela sociedade e por nós mesmos. Assim que abrir um destes na minha região, vou fazer questão de deixar ali garrafas plásticas e outros resíduos", garante.
Cris Weber