Doce de leite caseiro, galinhada, pudim de abóbora, melancia com feijão, aipim cozido no melado, café preto com farinha de mandioca, angu de leite e polenta com queijo no café da manhã. Estas e muitas outras foram as receitas lembradas pelos senhores e pelas senhoras que recebem os ranchos mensais do programa Cidadania Alimentar. Nesta segunda, dia 19, os beneficiários do bairro Guajuviras participaram da oficina Sabores da Infância, desenvolvida pela Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social.
"Iniciamos essas atividades com os idosos para que exista uma interação entre os beneficiários, um acompanhamento entre eles e a equipe da secretaria e também para que o programa não se resuma apenas em doação de alimentos", declara a secretária de Desenvolvimento Social, Márcia Falcão.
Além do resgate das memórias dos alimentos, as nutricionistas também incentivam que os participantes falem da origem de seus nomes. Dona Dinorá da Rosa, de 65 anos, disse que seu nome veio de uma rainha índia. Já Belkis Trindade, de 64, contou que sua mãe a batizou com o mesmo nome de uma tia que era muito amiga de sua família em São Luiz Gonzaga, cidade onde residia na infância. "Lá na fazenda tínhamos carne à vontade e agora, às vezes não temos nem como comprar um pedacinho com osso", desabafa a dona de casa.
Após o grande círculo para troca de experiências com cerca de 30 pessoas, foram formados quatro grupos com objetivo de constatar se os hábitos alimentares melhoraram ou pioraram com o passar do tempo. "Em resumo eles acham que a qualidade da alimentação era melhor antigamente, pois além de utilizar ingredientes mais saudáveis, afirmam que tudo era mais acessível ao consumo. Eles afirmam que hoje em dia precisam pagar por tudo que consomem. Diante disso nós estimulamos eles a não deixar de lado os bons hábitos. Incentivamos principalmente o cultivo de hortas caseiras", declara a nutricionista Anelise Ribeiro.
Mariela Carneiro