"Isso toca fundo na alma da pessoa, porque devia ser algo natural", declara emocionado o guardador de carro Luiz Carlos Machado Alves, equanto aponta para a faixa "Dignidade para todos", que fez a frente do 3.º Grito dos Excluídos de Canoas, no início da tarde desta sexta-feira, 30. Líder da recente criada Associação dos Guardadores Autônomos de Veículos de Canoas, Alves foi uma dos mais de 1000 participantes, entre ativistas de movimentos sociais; gestores públicos, ou simplesmente simpatizantes, que caminharam pela região central da cidade gritando por justiça; direitos e denunciando a má conduta de políticos.
A frente da caminhada, o prefeito de Canoas, Jairo Jorge, seguia o caminhão de som, ladeado pela titular da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social, Márcia Falcão e pelo deputado estadual Raul Carrion. "O evento tem um histórico de mobilização na cidade, mas a novidade desse ano é a definição do quilombo Chácara dos Rosas como ponto de chegada, como mais uma forma de nos somar a essa conquista", explica o Frei Wilson, um mentores e entusiastas desse evento.
A marcha começou a concentração antes das 14h, saindo por volta das 15h da praça no bairro Marechal Rondon. Orquestrados por cantos religiosos; gritos de protesto contra as injustiças do País e muita música com letras de denúncia e reivindicação, os participantes desceram pela rua Dona Rafaela. "O movimento é como uma porta necessária para outros níveis de participação, como o Orçamento Participativo", avalia Célio Piovesan, da Diretoria de Relações Comunitária da Secretaria Municipal de Relações Institucionais de Canoas.
Além de Piovesan, dezenas de outros gestores municipais e vereadores de Canoas, incluindo dois deputados, participaram desse ato. "Nós nascemos desse movimento, sem nos alimentar aqui, nós morremos", sintetiza o vereador Ivo Fiorotti, um dos vários parlamentares do Partido dos Trabalhadores presentes no evento. Realizado há 15 anos em todo o País, em sua terceira edição em Canoas esse evento mobilizou cerca de 50 movimentos e organizações civis gaúchas, além de lideranças quilombolas, que se juntaram à manifestação nesse ano. Por volta das 15h30, os caminhantes chegaram ao quilombo Chácara das Rosas, onde houve a continuação das atividades.
Ronaldo M. Botelho