A professora pergunta: "Quando o governante não usa o dinheiro público para o benefício do povo e coloca no próprio bolso, o que é?
Imediatamente os alunos respondem: Propina.
Assim foi o último dia do projeto da Controladoria Geral do município, "Olho vivo no dinheiro público". Os estudantes estavam com a lição na ponta da língua. Durante dez dias eles aprenderam como as verbas do governo federal, que são destinadas às cidades, podem melhorar o local onde vivem e também como fazer para fiscalizar o que é investido.
Cada uma das 42 escolas desenvolveu de forma subjetiva o projeto em sala de aula. A Escola Municipal de Ensino Fundamental Icaro, localizada no bairro Fátima, decidiu explorar o assunto em todas as disciplinas. De acordo com a supervisora, Rose Waitikoski, na disciplina de História por exemplo, o tema foi contextualizado através da evolução da economia no Brasil e na matemática os alunos aprenderam como calcular a porcentagem dos impostos que vão para o governo.
Denis Carrazoni, 10 anos, disse que não sabia que parte do dinheiro do produto que ele paga para consumir é destinado para impostos. "Até a bala que a gente compra tem imposto e fiquei triste em saber que muitas vezes esse dinheiro é desviado", lembra o estudante.
O resultado dessa receptividade que as crianças demonstraram foi percebida através de desenhos e de redações. "Eu desenhei o mundo para mostrar para o povo que não se joga dinheiro fora" diz Gabrielli Boyt, 9 anos, mostrando seus traços coloridos repletos de informações que já não pertencem mais somente ao mundo dos adultos.
O Controlador do Município de Canoas, Ivo Lech, ficou surpreso ao perceber o entusiasmo dos estudantes. "Não imaginava que pudessem produzir trabalhos com tanta qualidade. Incrível como as crianças tem consciência que o dinheiro público é um benefício de poucos", comenta.
Os trabalhos agora serão selecionados para o concurso que vai finalizar o projeto esse ano. 29 mil alunos estão participando. No dia 1° de Dezembro serão escolhidos 4 desenhos, um de cada série do 1° ao 4° ano do ensino fundamental e 4 redações da 5° a 8° série. Os melhores serão premiados com um playstation e uma máquina fotográfica no dia 9 de dezembro em Porto Alegre, data que marca o dia de combate a corrupção.
TAÍS DAL RI