Bobó de Camarão, pirão de peixe, moqueca, feijão mexido, quibebe, acaçá e canjica. Nessa sexta, 20, data em que se comemora o Dia Nacional da Consciência Negra, os alunos da Escola Municipal de Ensino Fundamental Sete de Setembro, no bairro Estância Velha, experimentaram e conheceram as histórias dessas delícias muito presentes na mesa das famílias e que são originárias dos costumes vindos pelos colonizadores africanos. "A polenta todo mundo sabe que é uma comida típica italiana e a batata também sabemos que está presentes nos costumes alemães, mas a maioria dos pratos que cozinhamos no dia a dia é trazida da cultura afro", ressaltou o secretário Municipal da Educação, Paulo Ritter, que esteve na escola para saborear o almoço temático.
Os pratos foram servidos em uma sala adornada especialmente para homenagear a Semana da Consciência Negra. Roupas típicas, objetos e máscaras artesanais se misturavam aos trabalhos didáticos feitos pelas crianças. "Desde o início do mês estamos orientando os alunos a realizar pesquisas e direcionar suas atividades para o tema. Eles fizeram colagens explicando o Alfabeto Africano e também desenhos para contar a historinha 'Menina Bonita com Laço de Fita', que fala sobre uma garotinha negra", contou a diretora Ana Regina Grisa.
Antes de iniciar a refeição, a merendeira Zaida Luciane Lima explicou como o que era preparada cada iguaria e seus ingredientes. "O quibebe é feito de abobrinha esmagada, farinha de milho e charque. A moqueca leva pelo menos dois ingredientes que vocês não devem conhecer: leite de coco e azeite de dendê. O dendê é muito forte e apimentado, por isso, para vocês que são pequenos eu substituí por azeite comum", esclareceu. A cozinheira revelou ter intimidade com esse tipo de receita, pois já morou e trabalhou em Porto Seguro, na Bahia.
Suelen Fernanda Rodrigues, de 9 anos, disse achar muito bom aprender mais sobre alimentação e aprovou os pratos africanos. A menina, que é de origem afrodescendente, disse que vai contar para a família o que aprendeu sobre as comidas típicas. Liandra Ribeiro Cunha, de 6, também vai pedir para sua mãe repetir as receitas em casa. E Vitória da Rosa Gomes gostou tanto da canjica que repetiu 4 vezes.
Mariela Carneiro