No documento base da Política Nacional de Humanização, do Ministério da Saúde, consta que "a humanização se entende como valorização dos diferentes sujeitos implicados no processo de produção de saúde. Os valores que norteiam esta política são a autonomia e protagonismo dos sujeitos, com participação coletiva no processo de gestão da saúde". O trecho aponta justamente os pactos pela defesa do SUS e da vida que norteiam o trabalho da escola de Saúde Pública, da Secretaria Estadual da Saúde, que conduz a PNH no Estado. A vice coordenadora da Escola, Miriam Dias, abriu a palestra "Política Nacional de Humanização, Muito Prazer", primeira atividade do Seminário de Humanização de Canoas. "Queremos mostrar que a saúde não é um setor somente de tensão e preocupação, mas de leveza e alegria, se soubermos tratar bem nosso usuário e nosso profissional".
Na palestra, foram abordadas algumas dificuldades que precisam ser enfrentadas no sistema, como espaço físico precário, desrespeito aos direitos do usuário, formação dos trabalhadores da saúde distante dos debates, burocratização e modelo de atenção centrado na relação queixa-conduta, que não é humanizada. "A política nasceu justamente para isso, buscando iniciativas para melhorar o contato humano entre profissionais e usuários, como um primeiro passo a estas melhorias". Também ministrante da palestra, a representante do Comitê Estadual de Humanização, Lúcia Crescente, veio de Ijuí para participar do evento. Para ela, os problemas do SUS começam a ser resolvidos pelo processo de humanização. "Escutar o usuário é fundamental para evitar casos de uma mulher que acompanhamos há algum tempo. Ela marcou exames preventivos e morreu na semana seguinte, vítima de violência doméstica. Acolher significa ouvir o paciente".
Os direitos do usuário do SUS foram protocolados em 2006 e afirmam que todo cidadão tem direito ao acesso ordenado e organizado dos sistemas de saúde, a tratamento adequado e efetivo para seu problema, ao atendimento humanizado, acolhedor e livre, entre outros. Anualmente, representantes de diversos países vêm ao Brasil conhecer o Sistema Único de Saúde, para conhecer o modelo implementado com exclusividade no país. Somente em usuários de saúde da família, são 87 milhões de brasileiros acompanhados por 27 mil equipes.
Cris Weber