Conceitos humanistas e igualitários que ajudarão a mudar comportamentos e paradigmas. Dessa forma pode-se resumir os dois dias de discussões e atividades do Seminário Cultura de Paz: Uma Utopia?, que ocorreu nestas quinta e sexta, 26 e 27, em Canoas. A abertura do evento contou com as presenças dos secretários de Educação, Paulo Ritter e da Segurança Pública e Cidadania, Alberto Kopittke. Quem fez a saudação inicial foi o representante da Marcha pela Paz no Rio Grande do Sul, Eduardo Freire e logo em seguida palestraram Luis Ammann, escritor argentino, integrante da Marcha Mundial pela Paz e pela Não Violência e Miriam Rosa, coordenadora do Núcleo Interdisciplinar de Estudos Transdisciplinares em Educação da UFRGS.
"Talvez o tema da violência, muito presente no meio educacional hoje em dia, seja o maior desafio de nós educadores. Os conceitos de competição estabelecidos no cotidiano, onde a ordem não é apenas derrotar o outro e sim massacrar o outro muitas vezes são trazidos de casa pelos alunos. Temos que usar nossa inteligência e nossa capacidade na busca de novos valores e destrocar esses papéis. Temos que trabalhar o protagonismo do sujeito humano, da capacidade cognitiva, do cidadão não tutelado". Com essa reflexão o secretário Paulo Ritter provocou o público que seguiu recebendo questionamentos desafiadores.
Dentro da mesma linha do colega, Kopittke, disse sentir que falta nas pessoas a vontade de mobilização para combater a cultura da violência. Ele também lamentou o fato da mídia 'prestigiar' essa cultura. "Um exemplo disso foi o surto de Gripe A. Após descobrir a existência do novo vírus, a população já estava se mexendo em massa para a prevenção e a busca da cura. Já com a violência os cidadãos se acostumam e o que é pior, o sistema da mídia e da comunicação apelativa faz com que a comunidade se sinta atraída pelos atos brutais. Infelizmente estamos vivendo o apogeu dessa cultura", ponderou.
Após as explanações das idéias, foram debatidas as formas de solucionar os fatos cruéis dessa realidade. Nas palavras dos palestrantes uma coisa foi unanimidade: "A violência sempre começa dentro de nós, por isso não podemos esperar que a paz seja encontrada nos outros e sim devemos nos conhecer melhor. Devemos encontrar formas de nos libertarmos para descobrir novos caminhos".
Houve também dinâmicas de atividades e vivência. Três grupos de dança formados pelo público, em sua maioria de educadores municipais, foram desenvolvidos pelos oficineiros da Unipaz. Dança Circular, danças ancestrais e Biodança. De acordo com a assistente social e integrante da Marcha pela Paz de Canoas, Adriana Model, essa prática serve como forma de integrar, aproximar e trabalhar o afeto nas relações, nesse caso as relações profissionais, principalmente entre colegas e professores e alunos. "Quando se está dançando está se transcendendo. É uma ótima maneira de se libertar, principalmente das sensações de tensão que nos fazem ser violentos", explicou.
Mariela Carneiro