Dia de aplausos, sorrisos e confraternização natalina no Centro de Atenção Psicossocial de Canoas (CAPS). Familiares e pacientes estiveram presentes, nessa quarta-feira, 09, no evento que contou com atividades artísticas, como cantorias, apresentações teatrais e musicais.
A psicóloga, Nara Formiga, explica que o CAPS é um Centro que trata de pacientes com esquizofrenia, doença mental crônica, depressivos e dependentes químicos, e que atividades de confraternização transcendem um tratamento que vai além da doença. "A Reforma Psiquiátrica, no seu início, tinha como meta principal a humanização do atendimento ao doente mental internado nos hospitais psiquiátricos", ressalta. Hoje, segundo ela, são premissas básicas desse movimento a desinstitucionalização da psiquiatria e a criação de serviços alternativos que visam à reabilitação psicossocial das pessoas com transtorno mental. "Esta havendo um resgate da cidadania e da singularidade dos sujeitos", finaliza.
Entre os presentes na confraternização, estava Rosemary dos Santos Goldinho, irmã do paciente Ricardo Teixeira, 39 anos, quem ela acompanha, desde março de 2008, em todos os encontros. "O Centro não é uma ajuda somente para os pacientes, mas também para os familiares e isso é muito valioso, por trazer idéias referentes a integração. É, sem dúvidas, a partir do entendimento da família que o paciente tem uma melhor qualidade de vida", pondera. Segundo ela, atividades como a confraternização natalina, já foram realizadas em outras ocasiões como a Festa Junina e a Feira do Livro. "Tudo isso faz com que os pacientes se interessem em participar e interagir de alguma forma em atividades da sociedade, como um todo", afirma.
Durante séculos, os portadores de sofrimento mental foram afastados da sociedade, isolados em casas de recuperação e manicômios, privados de relações e interações sociais, sedados com remédios, alojados em ambientes com condições precárias de sobrevivência e maus tratos. Carmem Angelina, que é mãe de um paciente de 27 anos com esquizofrenia e transtorno bipolar, explica que hoje essa realidade é outra, e afirma que o seu filho mudou, depois que começou a freqüentar os encontros, em março desse ano. "Vejo que há um empenho muito grande, por parte de todos, para que esse Centro exista. Meu filho tem mostrado grandes melhorias aqui, como muitos de seus colegas. Tem muita gente que precisa de um tratamento parecido", ressalta.
Para a voluntária Maria Adelina, que há cinco anos aplica oficinas aos pacientes, é uma gratidão poder trabalhar com "pessoas especiais", como ela define. "A idéia é permitir a exteriorização de sentimentos, tensões e angústias; trabalhar a reorganização do meio interno do usuário; estimular sua imaginação, a criatividade, o autoconhecimento e a auto-estima, bem como a inter-relação e a socialização do indivíduo no grupo e ainda resgatar seus potenciais desconhecidos ou inativados sobre a arte", ressalta. Ela diz que foram os pacientes que fizeram as decorações natalitas do Centro, com material reciclável.
PEDRO FOSS