O pescador Leandro da Silva, 33 anos, já está cansado das cheias da Prainha do Paquetá, no bairro Mato Grande. Ele viu a casa e o pátio cheios de água por pelo menos duas vezes somente neste ano e passou por uma série de dificuldades enquanto as inundações insistiam em atingir a região. Nesta terça-feira, 16, um caminhão com 65 cestas básicas - que incluíam produtos natalinos - chegou ao local e renovou a esperança dele e das outras cerca de 60 famílias que vivem na região, isolada até a semana passada pelas águas. "Não sei como agradecer. Chegou em um momento importante, pois teremos o Natal garantido". Na sacola, produtos básicos como arroz, feijão e leite, além de panetones, doces em compotas e sobremesas.
De acordo com a Secretária de Desenvolvimento Social do município, Márcia Falcão, os alimentos foram arrecadados através de uma união de esforços entre o Governo Estadual, o SESC (pelo programa Mesa Brasil), a própria Secretaria, a Defesa Civil municipal e o Banco de Alimentos da cidade. "Priorizamos esta área pela urgência e a gravidade das cheias. Arrecadamos o maior número possível de alimentos, com o objetivo de minimizar os problemas que eles enfrentaram". O coordenador da Defesa Civil, Mauro Guedes, ressalta que já são mais 200 cestas distribuídas. "Durante este período, nossos esforços foram concentrados em atender estes moradores, os que mais sofreram com este fenômeno que atingiu todo o Estado. Foram 24 horas de atenção a estas pessoas e o trabalho continua, com o monitoramento dos rios". Na próxima semana, produtos de limpeza também devem ser distribuídos.
Além dos ranchos, o atendimento médico também foi destaque da ação integrada. Fátima de Oliveira, 40 anos, ficou aliviada com a equipe médica da UBS Mato Grande que também esteve na Prainha nesta tarde. Mais uma vez, os agentes de saúde do Programa de Saúde da Família, vinculado à Secretaria de Saúde, fizeram consultas e realizaram procedimentos simples, como medir a pressão arterial e o nível de glicose no sangue dos moradores. Fátima foi até a estrutura montada pelo grupo para renovar um curativo, depois de um corte profundo na altura do joelho. "Fiz os pontos no HPS e hoje peguei analgésicos para a dor. É muito bom este atendimento pertinho de casa". Outros pacientes também foram acompanhados, nos mais diversos casos.
Cris Weber