O futebol no Rio Grande do Sul já registrou diversos fatos lamentáveis envolvendo brigas entre torcidas organizadas dos principais times do Estado, tradicionais rivais em campo: Sport Clube Internacional e Grêmio Foot-ball Porto Alegrense. Neste sábado, porém, esta rivalidade entre torcedores não teve espaço diante do muro de 100 m da Escola Estadual Tereza Francescutti, no bairro Mathias Velho. De um lado, o colorado da torcida Nação Independente do Inter, Guilherme Oliveira, 17 anos. Estudante da oitava série da escola, Guilherme utilizou um espaço do muro para desenhar o nome da torcida. "Aqui todo mundo se ajuda, gremista ou colorado. Um começa o desenho, o outro termina, é muito legal". E por falar em gremista, logo adiante estava o torcedor rival Altair Jr., 14 anos. Este preferiu escrever o próprio nome no muro e garante que não há sequer uma discussão entre os torcedores. "A gente se conhece, é todo mundo parceiro". Não é a toa que a palavra mais desenhada, em diversos estilos, foi a PAZ.
O espírito de colaboração, independente do time que se torce, foi a marca registrada da grafitagem que começou na escola há cerca de duas semanas.
A inicativa é viabilizada através do programa Escola Aberta - do governo federal - com o projeto Grafitando, da coordenadoria da Juventude de Canoas. E o muro que era branco e sempre era pichado ganhou um colorido todo especial, através dos estudantes e da comunidade em geral. E quem disse que o grafite é coisa de menino? As meninas também têm vez e participaram ativamente da oficina de grafite proposta por grandes profissionais da área. A estudante Franciele da Silva, 16 anos, adorou ter feito os desenhos pela primeira vez. "Foi muito legal e dei preferência para cores como rosa e lilás. Isso ajuda a manter nosso muro limpo e bonito".
Coordenador deste trabalho, o grafiteiro Walter Cardoso, de São Leopoldo, estava bastante orgulhoso com o resultado e reitera que a arte resgata jovens de situações de violência em geral, como o vício em drogas. "Trabalho com isso há cinco anos e percebo como eles estão interessados. Este é um trabalho social, de resgate da autoestima, proporcionando também uma qualificação para estes adolescentes". A professora do Escola Aberta na instituição, Berenice da Silva, afirma que muitas pessoas já entraram no colégio apenas para perguntar quem são os autores dos desenhos. "Isso tudo representa a conscientização e valorização da comunidade para o que é feito para eles e por eles". O trabalho continua na Escola, sob coordenação de Walter e dos oficineiros Trone, Cuca 3000 e Jeison. O mesmo trabalho de grafite está sendo desenvolvido no prédio da Brigada Militar e no Restaurante Popular de Canoas.
Cris Weber