Não-violência. Segundo pesquisa da delegação que viaja o mundo promovendo a cultura de paz esta é a única palavra entre as línguas que antagoniza com violência. E foi justamente este significado que o grupo encontrou na política canoense ao passar pela cidade, neste sábado, 26. A comitiva da Marcha Mundial pela Paz e a Não-Violência se encontrou com o prefeito municipal Jairo Jorge e os secretários municipais de Cultura, Jeferson Assumção e Segurança Pública com Cidadania, Alberto Kopittke. Além de algumas entidades sociais do município e a comunidade em geral.
A ocasião serviu de marco para o fechamento do ano de 2009, que para os integrantes da marcha significou a proximidade com o fim da jornada pela paz e para a gestão canoense, a culminância do primeiro ano de um governo progressista preocupado com as políticas de não-violência. De acordo com o prefeito Jairo Jorge, os primeiros doze meses da sua administração foram importantes para iniciar a mudança de uma cidade há anos governada por gestores conservadores. "Este é o primeiro governo de esquerda e nós nos preocupamos em mudar os valores da humanidade, isso é o que nos propomos. Realizamos a primeira parada livre, valorizando a diversidade sexual. Nosso Carnaval e a Festa do Trabalhador foram eventos com foco na disseminação da cultura de paz", recordou o prefeito.
O trabalho já resultou em evoluções concretas no quadro de violência na cidade. Segundo o secretário Kopittke, apesar do ano terminar com o mesmo índice de homicídios que em 2008, o crescimento foi contido. "Não diminuímos no balanço final, mas, contivemos o crescimento de 30% a cada três meses. O que significa que o nosso trabalho foi importante para evitar um número de mortes muito maior ao final deste ano", contabilizou. Ele elogiou a iniciativa da delegação, lembrando que o alerta pela paz é fundamental no mundo ocidental, principalmente na América Latina onde a violência é maior. "A cada ano no Brasil, 50 mil pessoas morrem vítimas de arma de fogo. Precisamos reverter este quadro incentivando a paz, trabalhando pela igualdade social e econômica e combatendo todas as formas de violência", salientou.
Após as falas oficiais, a delegação se apresentou e comentou a origem do movimento e os desafios de passar o ano inteiro viajando pelo mundo a fora. Entre os pontos negativos, o desgaste físico e alguns lugares desconfortáveis para dormir. Por outro lado, encontrar pessoas com esperança de mudança, autoridades dispostas em meio a um feriado e a possibilidade de contribuir com a sociedade como memória às futuras gerações superam qualquer contratempo. "Ver o discurso do prefeito Jairo tão próximo ao dos movimentos sociais é sinal de que realmente este é o prefeito da paz. Isso motiva a nossa marcha", disse o porta-voz da marcha no Rio Grande do Sul, Eduardo Santana.
O encontro contou com exibição do filme da marcha, com imagens dos lugares e pessoas já envolvidas no movimento. E, também com uma rodada de perguntas aos componentes da mesa. Ao final, todos fizeram um círculo e o gesto simbólico do lema da delegação: Paz, Força e Alegria.
Sobre a marcha - A Marcha Mundial pela Paz e pela Não-violência foi lançada durante o Simpósio do Centro Mundial de Estudos Humanistas no Parque de Estudo e Reflexão Punta de Vacas (Argentina), em 15 de novembro de 2008. A intenção é criar consciência frente à perigosa situação mundial marcada pela grande probabilidade de conflito nuclear, pelo armamentismo e pela violenta ocupação militar de territórios. A mobilização é feita pela ONG Mundo sem Guerras e iniciou em 2 de outubro (Dia Internacional da Não-violência) em Wellington, Nova Zelândia. A culminância será em 2 de janeiro de 2010, ao pés do Monte Aconcagua, em Punta de Vacas, Argentina.
Rachel Duarte