Moradores da Vala do Leão, no bairro Mathias Velho, participaram hoje da segunda reunião sobre o reassentamento de 32 famílias que moram às margens do esgoto a céu aberto que corre hoje no local. Pela prefeitura, participaram agentes da Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Habitação e das subprefeituras noroeste (região onde hoje estão alocadas) e sudoeste (para onde irão as famílias), além do subprefeito do quadrante noroeste, Júlio Ribeiro. Aproximadamente 25 pessoas representaram os moradores, discutindo o reassentamento que deve ocorrer até o final do mês. Cada contemplado receberá a escritura de um apartamento de dois quartos, com cozinha, sala e banheiro. Uma estrutura bastante diferente das condições em que vivem hoje.
De acordo com o diretor de Habitação Paulo Santos, mais uma reunião ocorrerá no próximo dia 7, quinta-feira, onde serão discutidos mais temas relativos à mudança. Neste encontro, representantes das secretarias de Transportes e Mobilidade, Saúde e Educação devem participar. "A intenção é tranquilizar os moradores sobre toda a infraestrutura que será oferecida, mostrando que ninguém sairá prejudicado", ressalta. Ele acrescenta que os moradores da Vala terão mais qualidade de vida com a nova unidade. "É uma estrutura diferenciada, muito distante de algumas casas que estão na vala". Já o subprefeito Júlio lembrou que cada morador deve se importar com o grupo como um todo e fez questão de falar sobre o processo de mudança. "Será feita um transporte por vez, sem que se percam móveis ou eletrodomésticos".
Para o recepcionista João Francisco Rodrigues Nunes, a moradia representa também um novo começo. Há seis anos, ele habita uma residência às margens da vala, em um casebre de madeira, dividindo a casa com outras seis pessoas. "Achei seguro e limpo, vai ser muito bom, principalmente por causa dos meus filhos. Acredito que não verei gambás e ratos por lá, coisa que vejo todo dia na minha atual casa", analisa. Idosos, deficientes e pessoas com problemas de saúde terão prioridade no reassentamento, com a reserva de imóveis no andar térreo. Enquanto isso, na Vala, os demais moradores de Canoas saem ganhando: o local será fechado e pavimentado, representando mais uma alternativa de mobilidade no município.
Cris Weber