Como cidade periférica, com um gestão local orientada para a construção de alternativas que contribuam para um mundo mais justo e humanitário, Canoas está no centro geográfico e cultural desse debate.
A criação do Fórum Social Mundial teve sua origem nas grandes manifestações em Seattle, durante o encontro da Organização Mundial do Comércio (OMC), em novembro de 1999, e naquelas realizadas em Washington, em 2000, contra as políticas do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial. Milhares de organizações civis, que travavam lutas isoladamente, passaram a se organizar enquanto movimento planetário de resistência à globalização neoliberal e por alternativas de desenvolvimento com justiça social, sustentabilidade e a democracia participativa.
Pessoas acima de interesses comerciais
Desde 2001, quando se realizou pela primeira vez em Porto Alegre, com o lema o "outro mundo possível", o Fórum Social Mundial vem se contraponto ao Fórum Econômico Mundial de Davos, que reúne ricos e poderosos do mundo na formulação do "pensamento único" neoliberal. O FSM e o chamado "espírito de Porto Alegre" ganharam o mundo. A escolha da capital gaúcha para a realização do Fórum Social Mundial em quatro edições decorreu da natureza das experiências vividas em terras gaúchas com governos de esquerda.
Diferentes Continentes
O Fórum saiu de Porto Alegre para realizar-se nos diferentes continentes (Américas, Europa, África e Ásia) e voltar, este ano, à Canoas e mais outras quatro cidades da Região Metropolitana de Porto Alegre. Passou a se realizar não apenas como evento mundial, mas também através de fóruns continentais, nacionais, locais e temáticos. Esta rica trajetória exige agora uma reflexão mais sistemática para avaliações e projeções.
Durante cinco dias, Canoas vai realizar 230 atividades no Fórum Social Mundial 10 Anos Grande Porto Alegre. Simultaneamente, em cinco cidades da Grande Porto Alegre, lideranças de vários lugares do mundo debatem a construção de uma sociedade mais justa e solidária.
Ronaldo M. Botelho