Professor da Universidade de Coimbra, em Portugal, Boaventura de Sousa Santos arrancou aplausos da plateia presente na mesa redonda "Mundialização alternativa e emergência das periferias", na tarde desta terça-feira, 26. Assim como outros palestrantes, Boaventura destacou o orçamento participativo e o processo inclusivo desta ferramenta social. "Foi quando o OP começou a se popularizar que vimos o potencial desta outra forma de gerir as cidades, já que representantes de diversos países vieram ao Rio Grande do Sul para aprenderem este tipo de gestão", destaca.
Para ele, as principais ideias que precisam ser discutidas, não só no fórum como em outros eventos similares, são as de como combater as formas de escravidão no país, ainda ignoradas pela maioria da população. "Estive recentemente em Belém e fiquei perplexo com a escravidão quase escancarada. E com isso não estamos falando de locais ermos, mas de cidades desenvolvidas. Não podemos ficar alheios a isso". Boaventura abordou ainda o conceito de que nenhuma cultura é completa e por isso é necessária uma fusão de conhecimentos, em diversos graus. Ele citou o exemplo dos medicamentos caseiros que por muitos são vistos como ignorância. "Aqueles medicamentos que as avós consideram infalíveis e que alguns médicos consideram bobagens têm sim uma porção de cura. O conhecimento só é válido quando estamos cientes de que ele será sempre incompleto", ensina.
Cris Weber