O feminismo e o papel fundamental das mulheres no aspecto social foram a temática da fala de Magali Giovannangelli, vice-prefeita de Aubagne, na Espanha, durante a mesa redonda "Direito à cidade, o direito à outra cidade". O evento ocorreu durante o Seminário Internacional de Metrópoles Solidárias, no Centro Universitário LaSalle. Magali afirma que a mulher \'complementa o mundo\', quando expõe suas ideias de igual para igual com os homens. Nas últimas eleições no município, mulheres que nunca haviam votado participaram ativamente das militâncias. "Elas marchavam e reivindicaram seus direitos, o que nos deixa bastante orgulhosos".
Para o outro integrante da mesa, Silvio Caccia Bava - representando o Instituto Pólis, Le Monde Diplomatique Brasil - é preciso voltar os olhos ao cidadão e não para os negócios. Ele cita os exemplos do transporte público, que deveria beneficiar a população e não as empresas privadas. "Alguns países já contam com este transporte gratuito, que deveria ser modelo mundial de desenvolvimento". Para fomentar políticas públicas, Silvio sugere que ocorra cada vez mais um incremento técnico nas prefeituras. "Há alguns anos, muitos prefeitos não sabiam fazer tabelas para este transporte e hoje a maioria já domina esta ferramenta".
Já a representante da USP (SP), Ermina Marcato, ressaltou que as ideias precisam ser otimistas, mas devem seguir a realidade brasileira e não a de países de primeiro mundo. Ela cita como exemplo a atual duplicação da Marginal Tietê, que tem um valor de investimento previsto na ordem de um bilhão de reais. "A marginal por si só já é um erro, porque não deixa o rio seguir seu curso normal. Mas duplicar é persistir no erro e não conseguimos compactuar com isso". Ela e outros engenheiros ambientais já assinaram um manifesto para entregar ao governo estadual, na tentativa de mostrar o impacto ambiental que esta obra terá sobre São Paulo. Erminia lembra ainda que a ideia da duplicação parte de modelos como o sistema viário de Genebra, onde as condições climáticas não são as mesmas. "Lá não chove tanto como aqui. É um erro pensar que podemo seguir este mesma forma de pensar", finaliza.
Cris Weber