O Orçamento Participativo é difundido em todo o mundo e foi o assunto principal do painel "O papel de experiência do OP: democracia, deliberação e participação", que ocorreu no auditório do prédio 1 do LaSalle. Representantes de diversos municípios participaram do evento, que reuniu um público interessado e atento ao processo que também ocorre em Canoas. A cidade de Erechim também mostrou sua experiência sobre o Orçamento, que foi criado na cidade no início do ano passado. Jorge Psicidonik, diretor de Orçamento Participativo, afirma que o processo no município tem dado muito certo pela organização imposta. "Fizemos um levantamento sobre as carências históricas do município, dividindo a área total em 16 regiões". De acordo com ele, foram mais de 1.000 demandas apontadas na primeira assembleia, com 169 obras que serão executadas neste ano.
Secretária de Planejamento e Coordenação Geral de Contagem, região metropolitana de Belo Horizonte (MG), Eugênia Bassi Fraga também falou da experiência do OP na cidade mineira. Para ela, há muitos desafios neste processo, uma vez que Contagem não foi planejada de forma correta. "Mais de 50% da área total do município é de preservação ambiental e não há política para manter esta preservação, criando também restrições de ocupações e abandono da população". Para ela, o município é uma espécie de "síndico" do dinheiro público, dimensionando o que pode se gasto. "É preciso ter o mínimo de noção para aceitar os limites deste orçamento, já que os gastos com dívidas do município são muito grandes". Ela acrescenta que um curso de formação de conselheiros do OP está em andamento.
Já o município de João Pessoa iniciou o OP em 2005 e foi apresentado no evento pela coordenadora do Orçamento na cidade, Ana Paula Almeida. Ela afirma que há uma interferência geral do orçamento com escolha de prioridades, tomando como modelo cidades como Belo Horizonte e Porto Alegre. Com população estimada em 700 mil habitantes, a capital da Paraíba também mostra um processo bem organizado. "Este ano estamos inovando, chamando a segunda etapa de planejamento democrático, discutindo de forma mais aprofundada o que foi escolhido pela população". De acordo com ela, 300 obras foram concluídas através do OP, entre elas 15 unidades de saúde da família e 13 escolas.
Cris Weber