O Seminário Literoativismo - Leitura para um outro mundo possível, programação que integra esta edição do Fórum Social Mundial, está reunindo grandes debates sobre o mundo da literatura em Canoas. Sob o tema Interação e Mobilização, a palestra que aconteceu às 14h30 no novo auditório de eventos da Prefeitura Municipal contemplou temas relativos aos movimentos sociais de livro, leitura e literatura.
O time de palestrantes, encabeçado por Heloisa Buarque de Holanda, contou também com Alessandro Buzo, escritor paulista, Luiz Roffato, escritor mineiro, e Aurenice Teixeira, pernambucana e representante da Livroteca Brincante do Pina. Além de esclarecerem um pouco de suas trajetórias, os convidados abordaram variações e modificações da literatura contemporânea, como comunicação digital e convergência de mídias.
O escritor Alessandro Buzo, que abriu sua fala com uma poesia, contou como se livrou das drogas através do resgate da literatura. "Ler também liberta, também resgata", afirmou o paulistano, que cresceu em meio às dificuldades e conseguiu reverter a situação se tornando escritor. Além dos livros, Buzo produz o jornal Boletim do Caos, tem um programa no canal Cultura de São Paulo e instalou a primeira livraria do bairro em que mora, na capital paulista.
Luiz Roffato também vivenciou dificuldades semelhantes às de Buzo. Com mãe analfabeta e pai semi-analfabeto, Roffato enxergou na literatura um futuro digno. "Estamos observando, pela primeira vez no Brasil, pessoas que não são da burguesia ou da classe média fazendo arte, protagonizando sua própria história", refletiu o escritor.
O ponto alto do debate foi a fala de Heloisa, dona da Editora Aeroplano, coordenadora do Programa Avançado de Cultura Contemporânea (PACC) e do Portal Literal. Para ela, mesmo com os avanços da era digital, os livros estão indo muito bem. "Hoje em dia o escritor está com tudo na mão, tem acesso a tudo, é só fazer o gol", brincou a ex-professora.
Conforme Heloisa, a literatura não vai perder seu lugar. "O que está sendo criado são novas práticas literárias, outros modos de comunicação", disse a pensadora, que trabalha com o PACC os projetos Fórum Permanente de Cultura Digital e Universidade das Quebradas, com o pessoal da periferia. "Não levo conhecimento a eles porque a periferia tem seus próprios intelectuais, não precisa disso. Proporciono uma troca entre o bom aluno da periferia e o bom professor da universidade", finalizou Heloisa.
Amanda Zulke