Fernanda é cega e vai até a Biblioteca Pública do Paraná com o intuito de solicitar um livro. Vários funcionários se mobilizam, encontram o livro, revisam a obra e depois, com um software específico, transformam esta obra em um arquivo de áudio. Menos de 24h depois, Fernanda recebe em casa mais do que um simples arquivo: recebe o direito de ter acesso a uma biblioteca como qualquer outra cidadã paranaense. A história é verídica e foi contada por Airton Marques, representante da instituição, que participa na manhã desta sexta-feira, 29, da mesa "Acesso as obras protegidas por pessoas com deficiência Visual na América Latina", proposta pela Organização Nacional dos Cegos do Brasil no Centro Universitário LaSalle.
O pedido da paranaense foi utilizado como exemplo por Airton para ilustrar a acessibilidade e a ansiedade de quem é deficiente quando quer possuir uma obra do gênero. "O cego não quer esperar dois meses pela confecção de um livro, ele quer de imediato. Se a lei do livro for aprovada no país, este processo que levamos 24h para fazer poderia ter sido feito em apenas uma hora". Hoje, a Biblioteca do Paraná está vinculada à Rede de Bibliotecas Integradas, que promove convênios com várias instituições no interior do Estado, disponibilizando diversas obras para os deficientes. As novas tecnologias, de acordo com ele, não tiram o espaço do livro braile, que também está no acervo na biblioteca. "Nosso sonho é ter uma impressora e não desistiremos deste desejo, porque também facilitaria muito o acesso aos livros por quem é cego".
Este reforço à técnica Braile é defendido por Clóvis Pereira, da Associação Brasileira de Assistência ao Deficiente Visual (Laramara). De acordo com ele, o Braile é extremamente necessário para a alfabetização do deficiente, como um instrumento básico deste processo. "Percebemos que várias crianças usam o computador pelo método de áudio e não sabem escrever corretamente a palavra \'exercício\', por exemplo. Precisamos defender a escrita correta, sem deixar de contar com as novas tecnologias", ressalta
Cris Weber