De heroínas na busca de um bronzeado perfeito, elas passaram a vilãs. Há pouco mais de um mês, as câmaras de bronzeamento foram proibidas em todo o território nacional, depois de uma resolução da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA). O órgão representado no município seguiu a determinação e têm feito rondas constantes nos estabelecimentos estéticos da cidade, analisando o cumprimento da lei. Nos últimos dias, cinco salões de beleza foram visitados e apenas um ainda não havia retirado o equipamento.
De acordo com o gestor da unidade em Canoas, Júlio César dos Santos, um prazo de 15 dias foi dado - a contar da última sexta-feira, 29 - para que a estética que ainda não retirou a máquina cumpra a determinação. "Mesmo a máquina estando lacrada, o salão será fechado caso a mantenha nas dependências". No início do mês, uma liminar concedida à Associação Brasileira de Bronzeamento Artificial (ABBA) autorizou que as clínicas estéticas que possuem médicos dermatologistas - o que não é o caso dos estabelecimentos de Canoas - poderiam utilizar o bronzeamento artificial em seus clientes. A liminar foi derrubada há dez dias, pelo desembargador federal Élcio Pinheiro de Castro, presidente em exercício do Tribunal Regional Federal da 4° região.
Riscos à pele ainda são desconhecidos, alerta dermatologista
"Muitos não sabem o risco a que estão se expondo", diz o médico dermatologista Paulo Zubaran, que também é fiscal da Vigilância Sanitária de Canoas. A afirmativa é embasada por um dado alarmante: apenas 15 minutos de exposição aos raios emitidos pelas câmaras de bronzeamento correspondem a 24h de exposição ao sol do meio dia, sem o uso de protetor solar. De acordo com ele, a decisão do desembargador é comemorada entre a categoria, principalmente pelos especialistas da região sul. "A maioria das pessoas daqui têm a pele e os olhos claros, características que devem exigir um rígido controle à exposição de raios ultra-violeta".
Segundo Zubaran, a decisão de revogar a liminar concedida à ABBA baseou-se em estudos realizados pela Agência Internacional de Pesquisa sobre o Câncer (IARC). Sete análises realizadas por um grupo de 20 especialistas apontaram, entre outros itens, que o risco de uma pessoa desenvolver o câncer de pele ao se expor a uma máquina de bronzeamento artificial antes dos 35 anos é de 75%. A previsão do Instituto Nacional do Câncer é que em 2010 surjam novos 130 mil casos deste tipo de câncer no Brasil.
Cris Weber