Rabino David Wolpe dizia que a fé não é saber qual é o mistério do universo, mas sim a convicção de que existe um mistério e que ele é maior do que nós. E foi partilhando dessa fé, que a comunidade de Canoas comemorou na manhã dessa terça-feira, dia 02, o dia de Nossa Senhora dos Navegantes. A festa iniciou às 7h30, com a missa na Paróquia Imaculada Conceição, onde moradores, integrantes da Prefeitura, entidades e religiosos participaram da celebração.
Após a missa, a festa prosseguiu com a procissão, reunindo centenas de pessoas, que saíram da igreja e seguiram rumo ao areião, onde vários moradores já esperavam. A imagem de Nossa Senhora dos Navegantes foi conduzida á uma embarcação. Outros barcos seguiram a procissão, todos enfeitados com balões e adereços coloridos, dando início à procissão Fluvial até a Praia do Paquetá.
O barco que transportou a imagem da Santa Padroeira e fiéis teve também a participação do Padre Eduardo Dellazari, que se mostrou entusiasmado com a participação popular. "É muito bom ver o povo interagindo, afinal só poderemos melhorar o mundo distribuindo a verdadeira fé entre todos", afirmou. Já para Paula Macedo, 48 anos, que participou da procissão, o evento é louvável e trás esperanças. "Acredito que uma pequena fé levará nossa alma ao céu, já uma grande fé trará o céu para nossa alma", ressaltou.
O início da devoção à Nossa Senhora dos Navegantes originou-se na Idade Média por ocasião das Cruzadas, quando os cristãos invocavam a proteção de Maria Santíssima. Sob o título de "Estrela do Mar", rogavam sua proteção os cruzados que faziam a travessia pelo Mar Mediterrâneo em direção à Palestina.
É a padroeira não só dos navegantes, mas também de todos os viajantes. Tal tradição foi mantida entre os marítimos e foi difundida pelos navegadores portugueses e espanhóis, disseminando-se entre os pescadores litorâneos principalmente nas terras colonizadas pela Espanha e Portugal. As conseqüências foram a multiplicação de capelas, igrejas e santuários nas regiões pesqueiras, particularmente no Sul do Brasil, onde a concentração de cidades que a veneram como padroeira é significativamente expressiva.
Pedro Foss