O prefeito de Canoas, Jairo Jorge, se reuniu nesta quinta, 11, com representantes da construtora Goldzstein Cyrela, a ONG Villa Mimosa e uma descendente da família Ludwig, família proprietária da casa centenária. O encontro teve como objetivo discutir e esclarecer as principais dúvidas da associação que representa a comunidade sobre a mudança nos termos de compromisso ambientais, culturais e sociais que a empresa firma ao receber a licença para continuar à obra.
O início das negociações entre o município e a construtora se deu no final de 2008, e, de acordo com o prefeito, o projeto dessa época continha exigências de políticas compensatórias insuficientes por parte do município. Por esse motivo, no início de 2009, uma comissão de canoenses se mobilizou para que se interrompesse a construção até que novas diretrizes fossem apresentadas. Juntamente com o prefeito e os empresários, os secretários de Cultura, Jéferson Assumção e de Meio Ambiente, Celso Barônio, expuseram a proposta revista e as contrapartidas oferecidas pela Goldzstein Cyrela. "Temos que ter muito cuidado no sentido de garantir o máximo de preservação ambiental e patrimonial. Estamos mantendo a integralidade do espaço e adequando-o para as funções possíveis", disse Jairo Jorge
No que se refere à área ambiental, as prioridades são no sentido do plantio, transplantes e permanência das árvores. Todas serão gravadas no Registro de Imóveis. Ao invés de reduzir a área verde do local, a obra possibilitará o aumento das espécies. De 366, 198 permaneceram intocáveis e para cada árvore, das 115 retiradas,foram plantadas cerca de 10 em diversos pontos da cidade, o que resulta em um total de 1.290 novas árvores. "Toda a vegetação da parte frontal do condomínio ficará como está, a retirada só será permitida nos fundos do terreno. Primamos também pela proteção às espécies mais robustas", ressaltou. Consta no processo, a modificação do projeto de fachada, pois anteriormente permitiria que estruturas do condomínio fossem visíveis e agora impõe que a construção dos prédios seja recuada.
Para preservar o patrimônio histórico ficou definido o compromisso com a restauração da casa, a existência de uma ambiência com gradil (no projeto anterior existiria um muro de dois metros separando o imóvel dos prédios). O terreno será aproveitado como espaço cultural, onde funcionará a Casa de Cultura Villa Mimosa. O espaço, que preservará o ambiente original, receberá da construtora a verba de R$ 1 milhão para investir na formação artística, na produção musical, no audiovisual, em oficinas de dança e literatura, dentre outras atividades. Nas cláusulas de compensações constam ainda as tratativas judiciais que garantem a reforma da Casa dos Rosa, que será utilizada como centro de memória e acervo da cidade e que, junto com a Fundação Cultural, permitirá que a região central de Canoas tenha três importantes equipamentos culturais.
O prefeito Jairo Jorge afirmou que, como diz desde que assumiu a administração municipal, iria cumprir os contratos realizados pela gestão anterior do município, depois de revisar o documento e colocá-lo numa medida justa à comunidade. "Se nós tivéssemos feito, faríamos diferente, mas é importante que tenhamos chegado a um denominador comum", garantiu. O prefeito falou de diversos projetos nas áreas de preservação que estão sendo originados pela prefeitura de Canoas.
O diretor-financeiro da Goldstein Cyrela, Ricardo Sessegolo, afirmou que a empresa cresceu muito com essa experiência. Ele elogiou a conduta da Administração Municipal e disse que a negociação com a sociedade foi um aprendizado.
CONHEÇA AS COMPENSAÇÕES:
1 - Doação e restauração completa do prédio da Vila Mimosa, elaborando e executando, a partir das diretrizes do Município, obra de restauração do Casarão, orçada entre R$ 800 mil e R$ 1 milhão, a ser realizada por empresa especializada em recuperação de prédios históricos;
2 - Aumento do recuo em torno do prédio, já implementado no desmembramento da matrícula;
3- Compromisso de não comprometer, no presente e no futuro, a viabilidade e a integridade da edificação;
4 - Cerca com acesso visual à vegetação, garantindo ainda mais a ambiência do entorno;
5- Ampla preservação da área substancial do terreno, tendo sido formulado novo projeto que reduziu, consideravelmente, o impacto na vegetação;
6- Gravame imobiliário sobre as árvores a serem preservadas (lembrando que este gravame recairá na área de principal relevância ambiental e de maior valor imobiliário, ou seja, na área frontal a Guilherme Shell);
7 - Aumento da quantidade de árvores a serem preservadas no local, bem como do número de transplantes daquelas que originalmente seriam simplesmente retiradas;
8 - Plantio de 1.255 mudas de árvores NATIVAS no município de Canoas, devendo cada exemplar possuir altura mínima de 3 metros;
9- Outras compensações a partir de outros projetos de preservação.