Com o intuito de diagnosticar a situação do Arroio Sapucaia um grupo formado por integrantes da Secretaria do Meio Ambiente de Canoas, Patrulha Ambiental e Conselheiros Ambientais de Canoas e Esteio percorreu, nesta quarta-feira 24, a bordo de três barcos as águas poluídas do limite natural entre Canoas e Esteio.
Do inicio ao fim a vala do óleo, como também é conhecida pelos pescadores da região , surpreendeu. Seja pelo excesso de lixo, como pela verdadeira aventura que é navegar por ali. As árvores que carregam em seus galhos desde panos, plásticos e até pneus tomaram conta do espaço, tornando a navegação e o trabalho de monitoramento uma difícil tarefa. Um dos pontos mais críticos de passagem é onde ficam as bóias de contenção da Refinaria Alberto Pasqualini. De ponta a ponta seguram dezenas de garrafas pet, embalagens, sapatos, pedaços de madeira. Um cenário de desleixo no mínimo desolador.
O engenheiro agrônomo Marcelo Zoppo que acompanhou a expedição observou que o arroio está muito degradado "A mata ciliar é quase inexistente" disse. Em 12 km de extensão do Arroio Sapucaia o Presidente do Conselho do Meio Ambiente de Canoas Paulo Denilto, comentou que em uma pesquisa feita em 2006 foi verificada que apenas um pequeno trecho, localizado no bairro Três Marias em Esteio, possui mata ciliar, cinco espécies de peixe, fauna e flora diversa.
Ao longo do trajeto se torna comum ver o esgoto caindo e se misturando as águas e moradores na encosta. O choque de realidade chega a assustar. Uma família construiu seu lar em baixo da ponte da Br 116 às margens do arroio. Um ambiente insalubre que se torna ainda mais perigoso à medida que chove e aumenta a correnteza, como o panorama que se apresentava ontem a tarde.
O alto índice de poluição é frequentemente combatido pela Patrulha Ambiental de Sapucaia que trabalha em 21 municípios da região. O soldado Luis Abate de Oliveira contou que no ano passado foi encaminhado ao ministério público o relato de crime ambiental por vazamento de óleo por parte da Refap. O MP emitiu um ajustamento de conduta que parece não estar sendo cumprido.
Ao desembocar no Rio do Sinos a viagem ficou mais tranqüila, porém, não diferente do cenário que denuncia a falta de educação da população que joga detritos no rio. O lixo se mistura a uma bela paisagem usada pelas garças para apresentar um espetáculo no fim do dia.
O secretário do Meio Ambiente de Canoas Celso Barônio concluiu a operação dizendo que as informações serão utilizadas para o projeto de revitalização de toda bacia hidrográfica.
Outras imagens do monitoramento no Arroio Sapucaia podem ser vistas neste site, clicando em mais fotos na página principal.
Taís Dal Ri