A dengue é uma doença silenciosa e com capacidade de virar epidemia em poucos dias. E os locais para a proliferação do mosquito são os mais inusitados possíveis. Desta vez, um dos principais alvos da diretoria de Vigilância em Saúde são as placas de trânsito. Como são ocas, concentram a água das chuvas no interior dos postes de metal, um local propício para a colocação dos ovos da fêmea do mosquito. Algumas larvas já foram encontradas nestes pontos, sem comprovação de que se tratem desta espécie. Por isso, a diretora de vigilância Judith Vasconcellos informa que será criada uma força tarefa para encher os postes destas placas com areia, o que evitaria o acúmulo de água. "Estamos revistando todos os pontos, em toda a cidade. Qualquer situação possível de proliferação deve ser eliminada", alerta. No entanto, potes de água, tampinhas de garrafa e pneus velhos continuam sendo os grandes vilões das constantes visitas em casas e estabelecimentos comerciais.
Para evitar que a doença chegue ao município, diversas ações vêm sendo tomadas. Uma delas é a criação do Comitê contra a Dengue, que será lançado nesta terça-feira, às 14h, no auditório da prefeitura. O grupo terá integrantes do meio ambiente, serviços urbanos e transporte e mobilidade, além da própria secretaria da saúde. Semanalmente, serão analisadas as possíveis ações de emergência caso haja contágio na cidade, com soluções rápidas e efetivas contra a doença. De acordo com a bióloga Patrícia Valentim, depois de picado por um mosquito contaminado - que por enquanto não existe em Canoas - o paciente passa por orientações da própria vigilância, que trabalha em conjunto com os Hospitais e Unidades Básicas de Saúde. "Qualquer caso suspeito passa por um exame após a notificação do médico. Mesmo sob suspeita, o paciente passa a fazer uso de repelentes para evitar o contágio de outras pessoas".
Os caminhoneiros que trafegam pela BR 116, vindos de pontos distintos do país, também terão atenção especial. A Vigilância deve retomar a capacitação de funcionários dos armazéns gerais, que podem reconhecer casos suspeitos nestes profissionais. Além disso, transportadoras serão visitadas com o mesmo intuito. O município também dispõe de uma carga do veneno líquido com inseticidas piretróides, que será utilizada para uma futura pulverização, caso seja necessário.
Cris Weber