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A 5ª Parada Livre de Canoas foi encerrada com o show da cantora Leci Brandão, no domingo (1°), data alusiva ao Dia Mundial de Combate à Aids. Mais de 40 shows, performances culturais e uma caminhada pela Avenida Inconfidência, no Centro de Canoas, integraram o movimento Lgbt.
Também houve um casamento homoafetivo, celebrado no palco. A programação, que teve início às 14h, trabalhou o tema "Além do Arco-Íris - Conscientizar é Prevenir e comemorou a queda de registros de casos de Aids no município. De segundo colocado no ranking estadual, o município ocupa hoje a 6ª posição, o que foi comemorada na Parada.
Aproximadamente 15 mil pessoas, de Canoas e municípios vizinhos, ocuparam a Avenida Inconfidência para se divertir, assistindo as apresentações artísticas, que se estenderam até a noite. Mas foi o show de Leci Brandão o que mais animou a plateia. Nem mesmo a chuva fina que começou a cair à noite desanimou o público. Leci, que apoia os movimentos sociais, cantou vários sucessos e também chamou a atenção para a importância da mobilização em prol da criminalização da homofobia e do respeito às diferenças. "Todo mundo merece o nosso respeito e o nosso carinho" declarou.
Fã da cantora, Omar Getúlio Machado Batista, saiu de Porto Alegre cedo para não perder a atração principal da Parada. "Ela tem uma energia muito boa, sou fã da Leci há muitos anos. A música dela deixa uma mensagem. Ela fala dos professores, dos negros, dos direitos humanos."
Para o jovem canoense Bruno Maciel Vaz, a Parada é um evento divertido, onde ele encontra pessoas que mostram o que são realmente. "Eu me sinto bem, sempre venho. Cria-se um ambiente agradável, sem brigas", comenta.
Pouco antes do show, o prefeito Jairo Jorge falou da proposta da Parada, destacando que o objetivo é convidar as pessoas para celebrar a vida e refletir sobre igualdade. "O preconceito existe porque muitas pessoas não têm capacidade de se colocar no lugar do outro", disse. O prefeito também comentou a redução do número de casos de Aids no município, creditando a conquista ao emprego de ações efetivas em saúde.
O coordenador da Diversidade, Rogério Ambieda, o Tigre, ressaltou que a Parada Livre realizada pela Prefeitura de Canoas, através da Coordenaria Diversidades e Secretaria Municipal de Saúde (SMS), "é um manifesto pela garantia dos direitos civis da população de lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais (Lgbt)".
Casamento
Angélica Stelmach, 20 anos, e Tatiana Monteiro, 34, formam o casal homoafetivo que resolveu celebrar a união no palco da 5ª Parada Livre de Canoas. Juntas há três anos, elas falam que resolveram realizar o casamento durante o evento, por acharem importante quebrar tabus.
"Tínhamos o sonho de casar. Quando decidimos que seria aqui, aceleramos a papelada e deu tudo certo", comenta Tatiana, que tem uma filha de 11 anos. Segundo ela, a menina lida naturalmente com a opção da mãe. "Também tenho o apoio do meu pai, que tem 75 anos. Ele estava lá no palco, do meu lado", relata. Angélica, que usou vestido de noiva, destaca que o mais importante em qualquer relacionamento é o companheirismo e o respeito.
Mais do que diversão
Mais do que celebrar a diversidade, a 5ª Parada Livre de Canoas, objetiva conscientizar sobre as doenças sexualmente transmissíveis. O diretor da Vigilância Sanitária da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), Paulo Zubaran, comemora a redução dos casos de Aids em Canoas e ressalta a necessidade das pessoas refletirem. "As pessoas precisam parar de pensar que a doença só vai atingir o vizinho." O médico ressaltou ainda que não existe grupo de risco e sim comportamento de risco.
Representante da Associação de Travestis e Transexuais do Rio Grande do Sul, Marcelly Malta, participou do evento. Ela chama a atenção para um comportamento perigoso. "Ainda tem pessoas morrendo por causa da Aids", alerta, informando que muitas controlam a doença com medicação, mas não usam preservativo. Ela apoia esse tipo de movimento, desde que ele vá além da confraternização. "As paradas não são só festa. Temos que contextualizar, falar de prevenção".
Legenda/foto
Movimento Lgbt: cerca de 15 mil pessoas foram para a rua celebrar a diversidade
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