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A experiência do projeto Consultório na Rua com o atendimento a população em situação de rua de Canoas está conquistando visibilidade nacional. Por meio do artigo "Entre o real e o ideal, o que é possível? Projeto Terapêutico Singular e Conceito Ampliado de Saúde", escrito coletivamente, os membros desse projeto apresentam essa experiência no livro "Caiu na Rede mas não é peixe / Vulnerabilidades sociais e desafios para integralidade".
"Fazer esse artigo foi uma oportunidade de a gente parar e ver o que já tinha feito. É também uma forma de a gente pensar, enquanto equipe e enquanto processo, o quanto já mapeamos, cadastramos e conhecemos as pessoas e essa rede no qual atuamos. Além disso, foi muito importante, porque foi um reconhecimento", explica Veridiana Farias Machado, agente social e redutora de danos do Consultório na Rua de Canoas/RS.
Com 167 páginas, a obra se constitui em mapeamento de ações positivas do SUS, enquanto políticas de saúde pública. A publicação é realizada por meio do Programa Pesquisa para o SUS - PPSUS, com o apoio do Ministério da Saúde e do Governo do Rio Grande do Sul. O livro é dividido em duas partes: Pesquisas e Intervenções Institucionais e Clínica Ampliada, na qual consta a experiência canoense.
Saúde como Direito
Desde dezembro de 2014, Canoas exerce essa política na prática, com a criação do Consultório na Rua, uma iniciativa da Secretaria Municipal de Saúde, em parceria com o Governo do Estado e a União. Uma equipe formada por uma psicóloga, uma assistente social, dois agentes de redução de danos, uma enfermeira e uma técnica de enfermagem percorrem as ruas do município para atender, de forma integral, as necessidades e as demandas em saúde da população em situação de rua. "A gente enfoca a saúde como o direito, não como caridade. E nessa orientação, o acolhimento é priorizado", observa a enfermeira Mariana.
Atualmente, o projeto possui 201 cadastrados. Destes, 15% já saíram das ruas, a partir das ações do projeto.
Em um veículo, a equipe circula, diariamente, por locais do Município em que estão os moradores de rua, como a Praça Emancipação, a Praça Pio X, os trilhos junto à Vila Araçá, no bairro Mato Grande, e a praça junto à Estação Rodoviária, entre outros.
Depois de fazer o primeiro contato e estabelecer o vínculo com essa população, os profissionais do Consultório na Rua começam a atender de forma integral as necessidades e as demandas dessa população.
No artigo publicado pela equipe do Consultório na Rua, que em breve estará disponível online, os integrantes do grupo fazem uma contextualização deste conceito de atendimento, enquanto dispositivo criado pelo Sistema Único de Saúde. Situam também a experiência de Canoas entre as diferentes instituições e entidades que integram a rede de atendimento desse público, situando-lhe também na política de redução de danos, suas ações, avanços e desafios.
"São pessoas que perdem os vínculos da família, mas vão fazendo outros vínculos. O cara da padaria, o cara do restaurante, os cachorros, os conviventes. Há um universo no jeito de eles se colocarem no mundo da rua", explica a psicóloga Mariana Vanuza Vieceli, que também integra a equipe.
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