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Quando se faz algo pela primeira vez, nervosismo e expectativa se misturam, e um turbilhão de emoções se fazem presentes até que a cortina do desconhecido se abre e passamos a guardar isso como mais uma experiência na vida. Esses dois sentimentos, e esse turbilhão de emoções foram compartilhados por Mara e Tânia, duas trabalhadoras da Cooperativa Casulo de Canoas que, na noite da última quinta-feira (10), foram a Porto Alegre para algo muito especial: assistir, pela primeira vez, uma peça de teatro. Mas não era qualquer peça durante a sua habitual temporada. Acompanhadas por alguns familiares e por integrantes da Secretaria Municipal de Projetos Especiais, Captação e Inovação, as cooperativadas tiveram a exclusividade de assistir, em primeiríssima mão, a montagem de “O Lugar Escuro”, novo trabalho de direção de Luciano Alabarse que recebeu as convidadas e explicou um pouco da história e do que elas veriam em cena.
Ainda no deslocamento até Porto Alegre, Mara já demonstrava uma certa ansiedade. “Quando me convidaram pra ir eu disse que iria porque eu nem sei como é um teatro. Nunca fui, será a primeira vez”, disse entusiasmada a trabalhadora da cooperativa, que estava acompanhada da filha Amanda, que aproveitou e também trouxe uma amiga. “Fiquei muito interessada também no tema da peça porque a minha sogra está com Alzheimer”, completou Mara.
O chamado ensaio geral para a peça que estreia nesta sexta-feira no Instituto Goethe foi assistido com muita atenção e, não raro, os olhos das convidadas entregaram a emoção diante da história contundente, visceral e reveladora escrita por Heloísa Seixas em 2007. No palco, três gerações de mulheres que têm de aprender a conviver com o Mal de Alzheimer da matriarca, história vivida pela autora com sua mãe. As dúvidas sobre o limite entre a insanidade e a razão, passado e presente lado a lado e um mundo todo particular criado por quem é acometido pela doença são trazidos ao palco nas interpretações de Sandra Dani, Gabriela Poester e Vika Schabbach, com cenário e iluminação que dialogam com o texto e a adaptação.
Quando as luzes do teatro foram novamente acesas, já não dava mais para disfarçar a emoção da experiência e, com a mesma naturalidade com que transformam garrafas PET em artigos únicos, subiram ao palco para abraçar e agradecer às atrizes. Já desfeitas de suas personagens, as atrizes foram brindadas com o catálogo da Coleção Luminós que, recentemente, foi apresentada numa feira de decoração em São Paulo. Sandra, Gabriela e Vika ficaram impressionadas com o trabalho. Vika até ganhou uma capa de celular feito a partir de PET e disse que usará em cena.
“Eu gostei do espetáculo. A peça mexeu muito comigo. Eu fiquei viúva há pouco tempo e às vezes me sinto um pouco só. Tenho um pouco de medo que isso possa também acontecer comigo”, disse a cooperativada Tânia, que veio acompanhada pelo neto. Mara ficou tão entusiasmada com a experiência que disse que procurará ir mais vezes ao teatro e que, por conta do tema abordado, passará para a sua família a importância da paciência e amor com quem tem a doença. Amanda, filha da Mara, disse que ficou impressionada com a peça. “Eu nem sabia que minha vó tinha a doença. Agora vou prestar mais atenção”, disse a jovem.
Na saída do teatro, mais uma surpresa: as cooperativadas deram depoimentos para um documentário que está sendo feito pelo videomaker, produtor e diretor de TV Antonio César, contando a experiência de terem ido ao teatro pela primeira vez. Na volta para casa, a certeza de que a noite valeu a pena e quando alguém lhes perguntar se já foram ver a tal peça, a resposta estará na ponta da língua: “Já vimos antes mesmo da estreia!”
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