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Ireno Jardim Mtr:5963
Jandira tem participado ativamente de oficinas, palestras e outras atividades
Diversos podem ser os motivos para uma pessoa vir a morar na rua - depressão, dependência química e abandono familiar são alguns deles. Em qualquer caso, o apoio do Estado, por meio de políticas públicas, pode ser um amparo fundamental. Assim foi para Jandira Gomes Rodrigues, 35 anos. Mãe de três filhos e grávida de 17 semanas, ela viveu essa experiência por 17 anos, entre Porto Alegre e a região central de Canoas.
Em abril deste ano, porém, Jandira conheceu a equipe do projeto Consultório na Rua, da Secretaria Municipal de Saúde de Canoas. Identificada e cadastrada, ela passou a ser acompanhada por uma equipe multidisciplinar e a contar com uma série de apoios que lhe abriram novas perspectivas. Entre eles, o acompanhamento médico, com pré-natal, incluindo atividades de hidroginástica para gestante. "A situação de rua é ruim, tem que ter gente pra conversar conosco. Elas me apoiam muito. Está sendo ótimo, porque eu adoro elas", declara.
Atualmente, Jandira trabalha com o marido na área de reciclagem. Sempre com o acompanhamento da equipe do Consultório na Rua, eles já alugaram uma residência, no bairro Mathias Velho. Ela recebe ainda uma atenção compartilhada entre a UBS Santa Isabel - que é a unidade de referência - e das demais instituições que integram a rede de apoio do projeto: HPS, HU, CAPS, etc. Outras três gestantes também estão sendo acompanhadas pelo projeto.
O projeto
Formado por uma psicóloga, uma assistente social, um agente social e um técnico em saúde bucal, uma enfermeira e uma técnica em enfermagem, o Consultório na Rua funciona na cidade desde dezembro de 2014, e percorre diversos cantos da cidade com o fim de atender às necessidades e às demandas em saúde dessa população. A iniciativa é uma parceria entre Prefeitura, Estado e governo federal.
Em um veículo do projeto, a equipe circula, diariamente, por locais do município onde se concentram moradores de rua, como a Praça Emancipação, a Praça Pio X, os trilhos junto à Vila Araçá, no bairro Mato Grande, e a Praça junto à Estação Rodoviária. Depois de fazer o primeiro contato e estabelecer o vínculo com essa população, os profissionais do Consultório na Rua começam o atendimento.
"Desenvolvemos um trabalho de fortalecimento de vínculos, que é transetorial. O objetivo maior é empoderar essas pessoas, para que possam perceber em sí mesmo o que têm de melhor. A gente trabalha para fazer eles enxergarem que isso é uma fase", diz a enfermeira Ana Paula, que também acompanha a equipe.
Perspectivas
O trabalho da equipe não tem o propósito de tirar esses moradores das ruas, mas, sim, a inserção deles em programas sociais. Também não é objetivo do atendimento forçar que essa população deixe o álcool e outras drogas, mas procurar reduzir os danos causados pelo uso dessas substâncias.
Para Jandira, o apoio do projeto tem permitido uma série de outros planos. Ela tem participado ativamente de oficinas, palestras e outras atividades do Outubro Rosa, realizado pela Coordenadoria das Mulheres, em parceria com a SMS. Também decidiu voltar a estudar, depois de vários anos. "Vai ser um bom exemplo para os meus filhos", acredita.
Conforme a psicóloga Jaqueline Batista, que integra a equipe do Consultório na Rua, os usuários atendidos têm uma história de vida, rica em diferentes experiências, que precisam ser adequadamente despertadas e canalizadas para a superação de uma situação de dificuldade.
"Somos multiplicadores de coisas boas e ruins. Se tivermos mais estímulos positivos, mais perspectivas positivas teremos em curto, médio e longo prazo. No caso de Jandira, ela participa de tudo. Para nós é importante, porque também uma referência para outras pessoas", observa a psicóloga, que também atua em outros dois projetos da mesma rede de apoio, o de Política LGBT - Saúde Integral e o Primeira Infância Melhor.
Serviço de Atendimento ao Cidadão: 0800-5101234