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O Dia Internacional da Mulher, celebrado em 8 de março, colocou em pauta um assunto em voga nos dias atuais: o empoderamento feminino. O tema foi debatido em um café da manhã no Centro de Referência Especializado de Assistência Social (Creas) Oeste, localizado no Centro de Canoas.
A instituição, que atende vítimas de diversos tipos de violações, reuniu usuários de outras unidades do Creas e também do Centro de Referência de Assistência Social (Cras) para uma roda de conversa sobre os direitos da mulher. "É importante demonstrar que, mesmo após sofrer a violência, é preciso dar um passo à frente e continuar a viver. Isso é empoderamento para a gente: ir além da dor", avalia a assistente social da entidade, Valéria Martins Marcelo.
Dia 8 de março à luz da história
Em um resgate aos avanços sociais da mulher, o encontro relembrou algumas das mais importantes manifestações feministas, que resultaram em uma série de movimentos. A própria instituição da data alusiva às mulheres tem origem em momentos históricos que revolucionaram o papel da mulher no mundo, como o incêndio que matou mais de 130 trabalhadoras em uma fábrica têxtil em Nova Iorque, em 1911.
O fato, que marca um cenário de condições precárias de trabalho, provocou as primeiras mudanças significativas nas leis trabalhistas norte-americanas e inspirou milhares de lutas emblemáticas. Entre protestos e conquistas, estão na memória a "Queima dos Sutiãs", em 1968, a obtenção do direito da mulher brasileira ao voto, em 1932, e a criação da Lei Maria da Penha, sancionada em 2006.
Mulheres em números
Os números apresentados no bate-papo assustam aqueles que não presenciam violações mais agressivas no dia a dia. Só no Brasil, são contabilizados 4,8 assassinatos a cada 100 mil mulheres, o que coloca o país em 5º lugar no ranking deste tipo de crime no mundo. Já no mercado de trabalho, mulheres costumam trabalhar pelo menos 7,5 horas semanais a mais do que homens, conciliando jornadas triplas e, ainda assim, ganhando 30% a menos. Quando há o recorte racial nas estatísticas, as desigualdades aumentam ainda mais no caso de mulheres negras.
Em poder dos próprios direitos
Visando fortalecer a autoestima das mulheres em situação de violência para que não desistam de seu poder de participação social, o diálogo reforçou os princípios do empoderamento elencados pela ONU em 2010, que incluem direitos relacionados à saúde, à igualdade profissional e de gênero. "Diariamente recebemos indicativos de que determinadas tarefas e privilégios são apenas para homens. É como o anúncio de vaga de emprego que diz 'somente homens' ou 'mulheres sem filhos', que é uma das muitas formas de discriminação que vivemos. Por isso, a história da mulher, assim como o seu empoderamento, se constrói a cada dia, passo a passo", completou Valéria.
O evento, que recebeu a secretária adjunta de Desenvolvimento Humano e Social, Rosangela Stadulne, o secretário das Relações Institucionais, Airton Souza, e reuniu diferentes representantes do Creas e do Cras, abriu espaço para as mulheres que quisessem relatar experiências ou pedir orientações em casos de violação. Ao sair, os presentes receberam como lembranças chaveiros confeccionados pelos adolescentes que participam das Oficinas Socioeducativas do Creas.
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