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Aos poucos eles foram ingressando na sala preparada especialmente para o evento. O palco da competição mais aguardada pelos alunos da EMEF Bilíngue para Surdos Vitória, na Mathias Velho, estava pronto: a quarta edição do "Soletrando Com as Mãos" iria começar. Com o piscar das luzes, a diretora Lucimeri Piachinski chama a atenção dos presentes na sala e dá a largada para a primeira etapa da competição. O aluno Eduardo, utilizando a Língua Brasileira de Sinais, sinaliza o nervosismo e a ansiedade enquanto a diretora inicia os trabalhos, explicando as regras do jogo.
O "Soletrando Com as Mãos" é uma atividade que envolve todos os alunos e professores da escola. São realizadas três etapas durante o ano e o desempenho do aluno e da turma é vinculado à nota final do trimestre. O professor de cada disciplina sorteia uma palavra para cada turma. Em grupo, eles escolhem o representante que irá soletrar com as mãos para o corpo de jurados, composto por três professoras. O escolhido tem dois minutos para completar a tarefa, que pode ser repetida quantas vezes forem necessárias. Os vencedores são conhecidos e premiados na última etapa da competição, realizada no fim do ano.
A Roberta, do 6° ano, foi a primeira a encarar o desafio. Tranquila e confiante, demonstrou estar firme na Libras. O Nícolas já teve um pouco mais de dificuldade, mas, incentivado pelo grupo, manteve a calma e completou a tarefa. Os pequenos do primeiro ano deram um show de coletividade e espírito de equipe, sempre ajudando um ao outro. A Ana Carolina Araújo, de 17 anos, é da turma campeã da edição de 2016. Hoje, no oitavo ano, está confiante para o bicampeonato e diz que a competição é fácil para quem estuda bastante. Mas, com certeza, a mais aplaudida da manhã foi a Clarisse Waismann, aluna de 54 anos da turma de Educação de Jovens e Adultos. Para ela, foi sorteado o desenho de uma borboleta, do qual ela teria que fazer o sinal correspondente. Ao acertar e ser aclamada pelos colegas, Clarisse abraçou a professora e não pode conter as lágrimas, emocionando a todos na sala.
Professora de geografia, Cármen Cristina Pereira, é a idealizadora do projeto na escola. Uma ideia simples que se transformou em um grande evento. "A competição motiva o aluno a buscar mais conhecimento, além da sala de aula. Eles recebem uma cartilha para treinarem as palavras, que fazem parte do contexto de cada disciplina no trimestre", explica Cármen. A professora estima vida longa ao Soletrando: "me sinto feliz e orgulhosa em ver meu colegas empenhados e motivados. Esta é uma sementinha que vai ficar na escola, que foi plantada e é esperada todos os anos pelos alunos", relata.
O sucesso do "Soletrando Com as Mãos" só foi possível graças ao empenho das professoras. A diretora Lucimeri destaca que a iniciativa surgiu na hora certa. "A escola sentiu necessidade de trabalhar com os alunos a língua portuguesa de maneira diferenciada, pois é uma língua muito difícil para o surdo. No começo ficamos receosas, mas ainda assim colocamos em prática a ideia da professora Cármen e de cara percebemos a grande aceitação e a importância do projeto", comenta a diretora.
A EMEF Vitória é uma escola bilíngue, portanto tem foco no ensino das duas línguas (libras e portuguesa). "A língua materna do surdo é a libras e muitas vezes eles acabam deixando de lado a língua portuguesa. Isso vai criar mais dificuldades para eles no futuro. Por isso, a competição vem reforçar a memorização, a aquisição de vocabulário e a leitura em português", finaliza Lucimeri.
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