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Quem caminha próximo à Estação Canoas da Trensurb pode ouvir de longe o sino do Xerife da Feira do Livro da cidade, que pela passarela vem anunciando mais um dia de evento. Foi nesse ritmo de encantamento - próprio da fantasia dos livros - que começou esta quinta-feira (6), afinal de contas, é quase impossível não ser atraído pelas poesias recitadas pelo artista Odair Fonseca e dar uma passadinha no encontro literário.
Para quem curte o gênero poético, a pedida da manhã foi o encontro com o escritor e ilustrador André Neves. Em "A Caligrafia de Dona Sofia", o pernambucano narra a história de uma personagem que adora poesia. "Durante a leitura aparecem poemas de vários escritores brasileiros, tanto infantis quanto adultos", revela o autor.
A cada página da obra, Neves vai inserindo naturalmente pílulas de literaturas mais complexas, passando por poetas clássicos e contemporâneos. "Os poemas vão surgindo por meio do que a personagem gosta de ler e do que ela anota pela casa, que é toda escrita", conta o ilustrador, que mora em Porto Alegre há 18 anos. "É bastante provável que muitos desses autores que cito no livro só sejam conhecidos pelas crianças no futuro, quando adultas", analisa.
Lotado por crianças no Auditório Ziraldo, montado na Praça da Bandeira, o bate-papo foi mais do que um simples encontro entre um autor e o público. Foi, sim, o criador de histórias que povoaram o imaginário infantil frente a frente com seus pequenos leitores - que conheciam muito bem cada personagem ali comentado. Com livros diversos de Neves nas mãos, a criançada se revezava ansiosa para fazer perguntas e preencher as lacunas das obras já lidas.
Entre as muitas mãos que levantaram para questionar o autor, várias se tratavam de "Lino" - personagem que dá nome a uma das publicações de Neves. "O Lino apareceu a partir do nascimento do filho de uma amiga, que acabou me despertando para contar essa história a partir de um brinquedo que vi no quarto dessa criança", lembra o escritor, que criou os protagonistas da história a partir de uma luminária do recém-nascido. "Era uma espécie de abajur com uma bola que acendia e um urso em volta. Ali nasceu o Lino e a Lua."
Para o criador de títulos como "Tom", "Tombolo do Lombo", "Casulos" e "Malvina", a criança de hoje é a mesma de antigamente - o que muda é o mundo ao redor delas. "A literatura para criança não existe mais. O que temos é uma literatura para a infância, que é para a infância de todos os leitores, então o que eu procuro nos meus livros é trazer histórias que possam despertar a infância tanto das crianças quanto dos adultos", finaliza Neves.
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