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Transportar centenas de pessoas em segurança todos os dias. Esse é o papel do motorista de ônibus, que precisa zelar não só pela própria vida em meio aos perigos do trânsito, mas por todos os usuários do transporte coletivo. O tema foi debatido em palestra promovida pela Sogal, em Canoas, e ministrada por representantes da Unidade de Educação para o Trânsito da Secretaria Municipal de Transportes e Mobilidade nesta quarta-feira (26).
Atitudes que salvam vidas
Irresponsabilidade e direção nunca combinaram. Mas o assunto ganhou ênfase em 2010, quando a Organização das Nações Unidas (ONU) observou que havia uma crescente no número de mortes causadas por descuidos ao volante. "A ONU percebeu que o trânsito vinha matando muito mais do que o crime, as drogas e qualquer outra situação de risco", revela o chefe da unidade, Renato Correia.
Segundo ele, o desafio desta década é diminuir em pelo menos 50% as fatalidades decorrentes de acidentes, o que depende de cinco pilares: Gestão, por meio da fiscalização do trânsito; Saúde, com socorro eficiente às vítimas; Educação, a partir da conscientização; Segurança Veicular, garantida por componentes como Airbag e freio ABS; e Infraestrutura Viária.
Pesquisas indicam ainda que 90% dos incidentes no trânsito são causados por falha humana. Enquanto isso, apenas 4% se referem a problemas mecânicos e 6% à má conservação das vias. "Os principais motivos de óbitos, de acordo com a Associação Brasileira de Medicina no Trânsito, são o excesso de velocidade, álcool e drogas, ultrapassagem perigosa e uso do celular", lista Correia.
Celular e direção: combinação que mata
Passível de autuação, exceto em casos de uso exclusivo do GPS, a combinação de direção e celular é um dos comportamentos que mais matam. "Falar ao telefone enquanto dirige aumenta quatro vezes a chance de acidentes. Digitar, que tem sido muito mais habitual, multiplica em 23 vezes os riscos", explica a psicóloga e perita em trânsito, Vanessa Carmo.
Uma das infrações mais flagradas no Brasil, usar o celular enquanto conduz um automóvel é o mesmo que dirigir às cegas - de acordo com diversos testes aplicados no país. "Se um condutor dirige a 50 km/h e olha o celular por dois segundos, é como se ele percorresse 27 metros completamente cego", aponta Vanessa. Para piorar a situação, estudos demonstram que ninguém espia o celular por menos de cinco segundos, o que faz crescer o perigo.
Caracterizada como infração gravíssima, a atitude coloca 7 pontos na Carteira Nacional de Habilitação (CNH) e gera multa de R$ 293,40. Para evitar o costume de dar "só uma olhadinha" para saber se a ligação é importante, Vanessa dá a dica: "Para isso existe o aplicativo ‘Mãos no Volante', que bloqueia as ligações recebidas enquanto a pessoa está dirigindo e envia uma mensagem para quem ligou."
Bilhões de mortes por ano
Os números refletem uma realidade que muitas vezes parece estar distante, mas não está. Em 2015 foram 12 bilhões de perdas em função da violência no trânsito nacional, sendo 3,5% desse valor só no Rio Grande do Sul. No mesmo ano, foram registradas 1,9 mil mortes e 28 mil casos de invalidez permanente. "Não parece muito se nos apegarmos ao tamanho da população. Mas e se fosse teu filho, teu familiar? Nesse caso não importa a quantidade. Nenhuma vida é substituível", diz a psicóloga.
"É preciso empatia, se colocar no lugar do outro", completa Correia, que apresenta uma estatística ainda mais alarmante. "A cada dez vagas nos hospitais, seis são ocupadas por vítimas de acidentes automobilísticos." Além dos traumas, os custos sociais com cada ocorrência também precisam ser levados em conta, pois somam bilhões por ano e poderiam ser aplicados em investimentos para a população. "Um acidente fatal gera um gasto de R$ 647 mil, com vítimas de lesões são 90 mil e sem vítimas ficam em 23 mil", pontua Vanessa.
Saindo do automático
Para quem trabalha ao volante, dirigir se torna algo corriqueiro, o que também merece cuidado. "Para vocês, motoristas, que passam horas e horas na direção, é muito fácil entrar no piloto automático. Para sair disso, basta piscar os olhos para que o cérebro entenda que vocês têm que voltar a se concentrar no que estão fazendo", aconselha a perita.
O foco na atividade é uma das posturas mais importantes para que o condutor consiga prever determinadas surpresas, como uma manobra inesperada de outro motorista ou um animal que surge na pista. Esses sustos causados pela falta de atenção são triplicados quando o condutor está alcoolizado - outra frequente causa de óbitos, ainda mais associado à alta velocidade. "Quanto mais fundo o pé no acelerador, menor a capacidade de prever perigos. E se os reflexos estão diminuídos em função do álcool, mais tarde o condutor conseguirá reagir para evitar colisões, por exemplo", conclui Correia.
Serviço de Atendimento ao Cidadão: 0800-5101234