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Ir até a parada de ônibus, esperar a linha desejada, passar a catraca, embarcar e desembarcar do coletivo são hábitos simples na vida de quem depende do transporte público, exceto para a pessoa com deficiência. Embora tudo isso seja feito no automático pela maioria da população, essa parcela da sociedade encontra obstáculos diários - assunto tratado em capacitação realizada pela Diretoria da Pessoa com Deficiência em parceria com o Instituto Canoas XXI no ano passado. No encontro, motoristas e cobradores da Sogal foram treinados para lidar com as adaptações dos ônibus e também com o público.
Os certificados de participação, no total de 155, foram entregues nesta quarta-feira (26) durante palestra sobre direção defensiva, ministrada por representantes da Prefeitura de Canoas. "A capacitação é uma das metas da Diretoria da Pessoa com Deficiência porque por meio dela é que poderemos mudar a realidade em que vivemos. E desde o último treinamento, "Vivências Inclusivas", já percebemos uma diferença muito positiva no atendimento dos coletivos da cidade, por isso as oficinas terão continuidade neste ano", aponta o diretor do órgão, Jair Silveira.
Plataforma: uma solução que não pode ser vista como problema
Se operar a plataforma elevatória parece ser o maior problema aos olhos de quem não vive a situação, o dia a dia mostra que há dificuldades maiores: a falta de compreensão dos outros usuários do transporte coletivo. "A maior barreira que enfrentamos são as atitudes, que dependem unicamente das pessoas", aponta Silveira. "De nada adianta ônibus com acessibilidade se não existir quem saiba operar o elevador ou mesmo auxiliar a pessoa com deficiência, seja auditiva, motora, visual...", completa Valoir Mendes, do Conselho Municipal dos Direitos da Pessoa com Deficiência (Comdip).
A abordagem aos passageiros com deficiência e a paciência dos demais na hora de um cadeirante entrar nos ônibus, por exemplo, também faz toda a diferença na qualidade do serviço. "Alguns usuários não aceitam que o espaço no meio dos ônibus é específico para quem usa cadeira de rodas. E muitas vezes o funcionário da empresa não se sente confortável para orientar sobre isso", relata Silveira.
Subir, descer e se acomodar no ônibus, no entanto, são só alguns dos transtornos em relação à plataforma. "A população precisa entender que o elevador não é voltado apenas a cadeirantes, mas para idosos com mobilidade reduzida, mães com carrinho de bebê, pessoas com obesidade... Todos esses usuários merecem esse atendimento humanizado", pontua o diretor.
Para a pessoa com deficiência visual ainda somam-se outros obstáculos: identificar a chegada dos ônibus e conseguir se informar sobre a linha a que se refere. "O ideal, tendo ou não outras pessoas no ponto de ônibus, é que o condutor do coletivo pare e pergunte qual linha o passageiro precisa utilizar, além de avisar se há bancos vazios ou não", explica Eri Domingos da Silva, da Diretoria da Pessoa com Deficiência. "Após a primeira capacitação já foi possível notar que os funcionários estão mais preparados para esse serviço e esse é o nosso objetivo", conclui o assessor da diretoria.
Serviço de Atendimento ao Cidadão: 0800-5101234