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Associação Recreativa Cultural e Carnavalesca Nenê da Harmonia é a grande campeã do Carnaval de Canoas 2018. A escola trouxe à avenida um olhar sobre a Amazônia brasileira e as antigas civilizações da América do Sul. Durante nove horas de festa, 1.580 pessoas desfilaram pela avenida Victor Barreto, no Centro de Canoas, nesse sábado (24) e consagram a comemoração da maior festa popular do país, o carnaval.
Mesmo a chuva, que insistiu em cair durante o final da tarde e o início da noite, não foi capaz de espantar os foliões da rua. O público também marcou presença e foi conferir de perto o colorido das fantasias e as diversas narrativas que tomaram conta da avenida, com enredos que foram desde a luta contra o preconceito até a história da aviação.
Índios e guerreiros
A Nenê da Harmonia, primeira escola do Grupo Especial a desfilar, trouxe à tona a luta de tribos indígenas que habitam a Amazônia. Com uma crítica à colonização europeia que, como cantou a samba-enredo, trouxe ambição ao continente sul-americano a agremiação encantou o público. A lenda da cidade de Paititi serviu como inspiração para a construção do samba. De acordo com a história, a cidade foi construída pelo herói Inca Inkarri e fora chamada de Eldorado pela incontável quantidade de ouro que escondia dos colonizadores. O paraíso perdido e as guerras travadas no continente pautaram as mais diversas alegorias da escola. As fantasias, carregadas de penas e adereços, foram dominadas pelo dourado.
Histórias e luta
O preconceito foi o tema da Rosa Dourada, segunda colocada no Grupo Especial. Liberdade de expressão, religiosidade e sexualidade foram alguns dos temas destacados pela escola. A musa da Harmonia, uma transexual, enfatizou a luta contra a LGBTfobia, o preto de sua fantasia também trouxe o recado que a paz e a felicidade não têm cor. A riqueza e apuração na construção das fantasias chamaram atenção dos espectadores.
A Nossas Raízes destacou o sonho de voar. Um anjo na Comissão de Frente anunciava que tomar os céus e alçar voos mais altos era o intuito da agremiação. Contraponteando entre a mitologia de Ícaro e a História, a Raízes falou sobre o imaginário humano, que desde muito tempo sonhou em tomar os céus. Leonardo da Vinci, que imaginou a estrutura dos helicópteros, e Santos Dumont, pai da aviação, estavam entre os homenageados. As alegorias ainda trouxeram fadas e insetos que povoam os céus.
Uma das mais antigas escolas de samba da cidade, Os Tártaros, levaram à Victor Barreto o culto à religiosidade. A fé de matriz africana foi a homenageada pelos carnavalescos. A África, berço de todos os orixás e de homens negros, fortes e guerreiros, foi tema das mais diversas alas que tomaram a avenida. A fé trazida junto da escravidão também foi contada em fantasias e passos de dança.
O relógio já passava das 5 horas quando a Unidos do Guajuviras despontou no sambódromo. Com a homenagem a Salvador, capital baiana, a escola lembrou a influência da miscigenação entre portugueses, índios e negros. O enredo ressaltou Salvador como uma das cidades mais ricas cultural e religiosamente do nosso país. Fé e cultura foram traduzidas nas fantasias e no samba-enredo da escola, que saiu da avenida já com o dia nascendo.
Soares é a campeã do Grupo de Acesso
A homenagem ao médico e vereador Walmor Solano Herrmann rendeu à Escola de Samba dos Soares o título do Grupo de Acesso e a ascensão à elite do carnaval de Canoas. Estreante no circuito oficial, a agremiação colocou 325 pessoas na avenida para contar a história do traumatologista e ortopedista que marcou seu nome na sociedade Canoas. As 11 alegorias retrataram momentos que marcaram a vida de Walmor, ilustrando desde a cidade de seu nascimento, Arroio do Meio, até sua trajetória profissional em hospitais e na Câmara de Vereadores da cidade. Para fechar a passagem da escola na avenida, o próprio homenageado entrou no samba. Acompanhado da família, o médico de 82 anos não escondeu a emoção por ter sido tema da escola.
O desfile das escolas de samba do Grupo de Acesso, que começou às 21h, surpreendeu o público que acompanhava a passagem das agremiações na avenida Victor Barreto. A Ana Lúcia, de 53 anos, foi até o local para matar a curiosidade e se disse surpresa com a qualidade do trabalho apresentado pelas escolas. "É a minha primeira vez num desfile de samba de Canoas. Imaginei que as escolas tivessem menor qualidade, mas estou muito encantada. O trabalho deles é lindo e muito profissional", constatou a professora aposentada.
Quem abriu o desfile foi a escola Império da Mathias que reverenciou a grandiosidade cultural da terra do samba e do pandeiro. A destruição da natureza foi o tema da Pérola Negra, segunda escola a se apresentar. A Aquela do Samba transformou a Victor Barreto num botequim. Com o tema Papos de Botequim na visão da Aquarela do Samba, a agremiação ilustrou as mais variadas ocasiões que ocorrem nos bares brasileiros.
Nota 10 para coragem
O presidente da Associação Uruguaianense de Julgadores de Eventos (Ajue), Newton Gomes se emocionou ao falar sobre o carnaval canoense. Ele, que dirigiu o grupo de jurados desta edição, comemorou a coragem da Prefeitura de Canoas para realizar a festa. "Assim como saúde e educação são importantes para uma sociedade, a cultura popular também é. Por isso, Canoas está de parabéns pela coragem de realizar o carnaval neste ano", afirmou. Ele ainda destacou que a atenção da atual gestão tem respeito pelas tradições e finalizou dizendo que era impossível conter a emoção diante de tão importante manifestação cultural vista durante as noves horas de desfile neste sábado.
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