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Tombada como patrimônio histórico do município em junho do ano passado, a Igreja Matriz São Luiz Gonzaga recebeu nesta quinta-feira, 28, o apoio do poder público municipal para suas obras de restauração. O prefeito Jairo Jorge Assinou a ordem de serviço que prevê o aporte de R$ 114,5 mil para as obras. A solenidade aconteceu em frente à Igreja, no largo da Praça da Bandeira. Os serviços serão executados na parte do forro, extremamente danificado pela ação de cupins, e cuja estrutura de madeira está sendo substituída por uma nova, de ligas metálicas. Além da Prefeitura, outras entidades e a comunidade tem-se engajado na aquisição de recursos para a restauração o prédio, que conforme o pároco, padre José Hermeto Mohr, poderão ter seus custos em até R$ 1,2 milhão.
O prefeito ressaltou a importância em transformar em realidade, o compromisso de manter viva a história da cidade. "A Igreja é um ícone da cidade, um local de grande importância histórica", falou.
O secretário de Cultura, Flávio Adonis, falou da preservação da memória de nossa cidade, ação que vem sendo feita pela administração, que tombou o primeiro prédio em toda a cidade em 2009, mesmo que a lei de tombamentos seja de 1994. Flávio Adonis disse ainda que o município está trabalhando na obtenção de mais recursos, junto à Lei de Incentivo à Cultura (LIC).
O vigário episcopal do Vicariato de Canoas, bispo Dom Agenor Girardi, lembrou que a cidade começou junto à Igreja e que sua restauração porporcionará sua conservação para as futuras gerações.
A vice-prefeita e secretária da Saúde, Beth Colombo, também acompanhou a cerimônia, assim como secretários municipais, lideranças religiosas e comunidade.
Após, o grupo visitou o interior da Matriz, fechado para reformas. No local foi avistado as obras do forro, já parcialmente retirado. O cuidado com a preservação de vitrais, pisos e pilastras também foi notado, parte de uma obra complexa, que resgata a história da cidade.
A previsão do padre José Hermeto é de que, se a obtenção de recursos for positiva, a s portas da Igreja Matriz São Luiz Gonzaga estejam aberta à população em junho de 2012.
PARECER HISTÓRICO DA IGREJA MATRIZ SÃO LUIZ GONZAGA
Endereço: Rua Cônego José Leão Hartmann, nº 82, Centro, canoas/RS.
No ano de 1897, Olavo Plácido Ferreira, residente em Canoas, resolve construir uma capela em louvor de São Luís Gonzaga, pelo que já fizera doação de um terreno à Mitra da Diocese de São Pedro do Rio Grande do Sul, pedia nessa data a licença para edificá-la. O Cônego Diogo S. da Silva Laranjeira em 28 de janeiro de 1897 dava o seguinte despacho: "Informa o Ver. Sr. Vigário de São Leopoldo, administrador da Paróquia da Aldeia (Gravataí). A 03 de fevereiro do mesmo ano, o Padre Eugênio Steinhart, administrador da Freguesia de Gravataí, de São Leopoldo responde favoravelmente, opinando pela construção de uma capela com grandes proporções. A 06 de maio, D. Cláudio José Gonçalves Ponce de Leão, Bispo Diocesano, assina a provisão autorizando a construção.
A 21 de junho de 1898, no dia da festa de São Luis, é inaugurada a capela, uma bonita igreja, a capela que hoje não existe mais, era em estilo colonial português com duas torres que abrigavam um vistoso galo cor de prata cada uma delas, que brilhava ao longe. A festa da inauguração durou três dias, com muita música, dança e churrasco.
A primeira igreja católica de Canoas em homenagem ao padroeiro da cidade foi inaugurada em 21 de junho de 1898, ano em que a imagem de São Luis, a imagem foi colocada na bonita Igreja de São Luis Gonzaga, que ficava na Rua Santos Ferreira, em terreno bem próximo da atual esquina da Av. Santos Ferreira e Santini Longoni.
A escolha do padroeiro oferece uma curiosidade para a cidade, uma parte da população não se conformou com a escolha de São Luiz para padroeiro de Canoas, pois queriam São Roque, e o fato de chover todos os anos, na data festiva de São Luis, convenceu a muita gente de que houvera erro na escolha do padroeiro e surgiram versões que as chuvas eram lágrimas de São Roque, que chorava a preterição sofrida.
Em 1918 a antiga Igreja de São Luis Gonzaga estava em péssimo estado de conservação, com suas duas torres ameaçadas de ruir devido à má qualidade do material utilizado e pela péssima fundação. Em 19 de março de 1918, o engenheiro José Coelho Parreira, a pedido de Frederico Guilherme Ludwig deu parecer técnico sobre o estado em que se achavam as duas torres da igreja de São Luis Gonzaga de Canoas, que deveriam ser demolidas sem perda de tempo, por ameaçarem ruir.
Em 1924 senhoras da sociedade canoense bem como de Porto Alegre, e que tinham em Canoas suas casas de veraneio, e mais o vigário Padre Reinaldo Juchem reuniram-se na casa da Sra. Henriqueta Martins para decidir a construção da nova Igreja Matriz de São Luiz Gonzaga onde o Padre Reinaldo Juchem propôs a aquisição de terreno na atual Praça da Bandeira, onde foi apresentado aos componentes os motivos da mudança da Matriz para a Praça da Bandeira, perto da Estação Ferroviária. Eram necessários 15.000 réis para a compra de terrenos. No ano de 1925, em outra reunião apresentou a resposta do Exmo. Senhor Arcebispo, aprovando a mudança.
A diretoria das "obras da nova Igreja Matriz de São Luis Gonzaga de Canoas", ficou assim constituída: Presidente, Pe. Reinaldo Juchem; administradores: Mário de Souza Velho, José Gaudenzi, Fioravante Milanez. Presidentes honorárias: Júlia de Souza Velho e Cândida Kessler. A diretoria executiva ficou assim formada:
Presidente _ Henriqueta Martins
Vice-presidente - Antônio de Abreu Pereira
1º Tesoureiro _ Julieta Velho de Freitas
2º Tesoureiro _ Nena Flores Soares
3º tesoureiro - Luciana Velho Dexheimer
1º Secretário - Mimosa Kessler Ludwig
2º Secretário _ Núncia Machado
3º secretário - Ignez Velho Leivas
Conselheiras: Josefina Rosa, Anita Abbadie, Clotilde Bins, Candoca Franco, Ermelinda Franco dos Reis, Celina dos Reis Velho, Maria Olívia Gomes Ribeiro, Maria das Dores Gomes Marques, Maria Ribeiro Rosa, Malvina Mota, Irma Bins, Alice Dexheimer Kessler, Olga Kessler Coelho, Francisca Velho Renk, Maria Not Velho, Cora Martins de Abreu Pereira, Julieta Martins calvalcanti, Elvira Dexheimer Livônios, Rita Paim de Andrade, Candoca Paim Diana Terra, Glória Rasgado, Adelina Dexheimer
Leite, Julieta Sefton Rosa Gaudensi, Picucha Milanez, Alaíde Vargas, Adelina Vargas Dias, Maria Porcello, Zaíra Morsch e Denha Longoni.
Em 10 de janeiro de 1925 foi constituída uma Comissão da Escola Paroquial, foi criada a Irmandade de São Luis, liderada pelos srs. José Weber e Teodoro Venhofen.
Em janeiro de 1925 Fioravante Milanez é escolhido para festeiro do ano e na ocasião foi demarcado o local onde seria construída a nova Matriz. O orador da Festa foi o Padre Benjamim Aragón Milanez Carvalho. No mesmo dia foram escolhidos os padrinhos da pedra Fundamental, para cujo lançamento a coleta rendeu a quantia de 6.000$000.
Em maio de 1925, o padre Reinaldo Juchem conseguiu comprar o terreno onde seria erguida a nova Matriz, com 350 palmos de frente e o mesmo número da frente ao fundo. O terreno custou 16 mil réis, com todas as despesas incluídas. A edificação foi construída a partir de um projeto do arquiteto Fontanive, executado pelo arquiteto e escultor Vitorino Zani.
Em reunião no mês de julho de 1926, a Irmandade aceitou a proposta do Srs. Francisco Hilgert e Manoel Engweiler para construírem os alicerces da nova igreja.
Em 1926 foram concluídos os alicerces para a nova igreja e no ano seguinte estavam quase prontas as paredes e os arcos das janelas quando as obras pararam no ano de 1927 durante três meses por falta de recursos, com o sacrifícios dos operários, auxiliando de muitas famílias com mão-de-obra e algum dinheiro arrecadado e a obra pode prosseguir com grandes dificuldades.
Em 1928 foi autorizada a demolição da antiga igreja para aproveitamento do material na nova Igreja, somente em 1930 seria autorizada a venda do terreno por 15$000 para ajudar na construção da nova Matriz. Até 1931 devido ter sido demolida a Igreja, os paroquianos assistiam atos religiosos na capela São José dos Irmãos Lassalistas.
No dia 02 de agosto de 1928 veio a licença da Cúria Metropolitana autorizando a existência da Matriz de Canoas.
A primeira Missa foi rezada na Páscoa de 1931, sem a Matriz estar concluída, porém o desejo da população de ter novamente sua Igreja em funcionamento era enorme e a igreja foi abençoada pelo Padre João Rick sem estar completamente pronta, pois faltava a construção das torres e alguns detalhes internos, com grandes festejos. A luta para a finalização da Matriz continuou por mais alguns anos. Em outubro de 1932 foi concluída a Sacristia e sete anos depois foram feitos os rebocos internos, torre, piso e a abóbada.
A 23 de junho de 1940, após a procissão de São Luis, o Arcebispo Dom João Becker, veio benzer a igreja cujas obras estavam concluídas e lançar à pedra angular da casa paroquial. Estiveram presentes a esses atos: Mons. Leopoldo Neis, Mons. João Emílio Berwanger, Côn. Ambrózio Konzen, Pe. José Sedelmeyer, Pe. Germano Wagner, Sr. Edgar Braga da Fontoura, Prefeito municipal, Dr. Dorival da Silva Schmitz, Juíz Municipal, associações religiosas e grande massa de fiéis. Foram padrinhos da cerimônia D. Francisca Velho Renk e Felipe Jacobs. Os festeiros foram o Sr. Vicente Cláudio Porcello e Srta. Nayr Grant.
A imagem de São Luis Gonzaga foi transferida para a Matriz em 1949. Durante os festejos do Padroeiro foram inaugurados e abençoados os novos sinos da Igreja Matriz em junho de 1954.
Em 1978 a edificação passou por uma reforma com confecção de lugares para os santos, um crucifixo de seis metros de altura, bancos novos, além da reforma de vitrais, arcos, ogivas, via-sacra e estátuas. Depois de uma grande colaboração e dedicação da comunidade, a Igreja São Luis Gonzaga surge imponente no centro da cidade.
Em 19 de abril de 1949 acontece a benção solene do altar-mór da Igreja São Luis Gonzaga, obra do renovado escultor Giuseppe Gaudenzi, que residiu em Canoas por muitos anos.
Segundo o Cônego Engelbert Hartmann, nascido em 1920 e morador de Canoas desde 1941 "naquele tempo Canoas era uma só paróquia. Não tinha propriamente bairros definidos ainda. Toda a cidade tinha mais ou menos entre cinco a sete mil habitantes. A primeira vez que passei por Canoas foi em 1935, quando fomos ver a exposição Farroupilha, o centenário dos Farrapos.
O Cônego Engelbert acredita que o fator de maior influência na escolha da localização da nova Igreja foi que o centro se deslocou para o entorno da Praça da Bandeira e da Estação Ferroviária onde se instalaram as tradicionais famílias de Canoas.
A Igreja Matriz de São Luis Gonzaga desempenhou importante papel na comunidade canoense estando presente praticamente desde o início da sua colonização, prestando valorosas contribuições para sua comunidade, inclusive na área do lazer, conforme relata o escritor Valter Galvani "as primeiras projeções de filmes a que eu assisti foram na parede da Igreja São Luiz, pois o empresário Pedro Hilgert, que possuía uma tipografia, fazia o que se chamava cine amador, filmava por conta própria acontecimentos na cidade e aproveitava as paredes brancas ou claras para exibir seus documentários e projeções de filmes como os de Charles Chaplin."
A igreja São Luis Gonzaga, localizada na Rua Cônego José Leão Hartmann em frente à Praça da Bandeira, é um dos pontos de referência dos mais antigos de Canoas, considerada um dos templos mais bonitos da Região Metropolitana. É um dos prédios mais antigos existentes na cidade e certamente também possui um valor afetivo para a comunidade canoense tão significativo quanto sua idade. É um patrimônio de inquestionável importância: no âmbito Histórico cultural, da cidade de Canoas e da sociedade canoense.
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