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Aproximadamente 150 pessoas, entre professores de história e alunos da EJA da rede municipal, tiveram a oportunidade, nesta terça-feira à noite (1º), de ouvir relatos da canoense Nadine Borges, integrante da Comissão da Verdade do Estado do Rio de Janeiro, sobre os 50 anos do Golpe Militar de 1964. O encontro, promovido pela Secretaria Municipal de Educação, foi realizado no Salão Azul do Centro Universitário Unilasalle.
O evento, sob o tema "Ditadura: para que não se esqueça, para que nunca mais aconteça", iniciou com a exibição de um vídeo de dois minutos. Ele mostrou imagens de presos políticos, torturados durante o Regime Militar, no período de 1964 a 1985. "Se é insuportável ver esse vídeo nesse pequeno espaço de tempo, imaginem para quem ficou vários dias, às vezes meses, sendo sistematicamente submetido a torturas", provou Nadine.
Após a apresentação das imagens marcantes, ela explicou quais as atribuições da Comissão da Verdade, que tem o objetivo de apurar fatos e circunstâncias autorais de desaparecimentos políticos, além de identificar atos terroristas e cadeias de comando das forças armadas.
O secretário de Educação (SME), Eliezer Pacheco, destacou a importância do evento. Também salientou que a SME realiza, de terça-feira a sexta-feira, a Semana da Democracia. Ele solicitou aos professores das 42 escolas da rede municipal para estimularem os alunos ao debate. "É a oportunidade de lembrar a ditadura, responsável pelo extermínio de vidas e o domínio do Brasil por 20 anos", disse.
A ditadura tentou destruir a ideologia
Nadine Borges também falou sobre entrevistas, realizadas por ela, com militares, revelando técnicas de torturas físicas e psicológicas com milhares de pessoas. "Muitas dessas pessoas desapareceram. A morte é definitiva. O desaparecimento é um sofrimento eterno", afirmou. Segundo a canoense, que se criou no Bairro Guajuviras, não é normal conviver com ditadura, homofobia, racismo e pedofilia.
Olhar da sala de aula
Os estudantes da Escola Guajuviras, Amanda Barbosa, de 16 anos e Elias Hemsing, de 15 anos, estavam entusiasmados com a palestra. "Devemos ser sempre contra a tortura", disse Amanda. Para Elias, é um aprendizado que abre a mente para esse momento histórico do país. "Temos que nos conscientizar do que aconteceu", relatou. O professor de história dos estudantes, Paulo Ricardo do Amaral Pinto, disse que sempre aborda o tema com alunos, já que ele ainda está vivo nos dias de hoje. "Temos que mudar, e a participação dos alunos é importante", disse o professor.
Currículo
Além de integrar a Comissão da Verdade do Estado do Rio de Janeiro, Nadine Borges é Doutoranda em Sociologia e Direito e coordenadora da Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos, vinculada à Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República.
Ditadura Militar nas escolas
Desde terça (2) até esta sexta-feira, a SME promove atividades alusivas ao Golpe Militar. A secretária adjunta de Projetos Pedagógicos da SME, Janete Jachetti, disse que, no período, os alunos estão trabalhando - nas aulas de Artes e História - o tema ditadura. "A ideia é que seja criada, a partir dos trabalhos, uma mostra na SME", adiantou.
Durante a semana, os alunos também visitarão o Museu dos Direitos Humanos do Mercosul (MDHM), na Assembleia Legislativa, onde terão a oportunidade de conferir uma exposição alusiva à Ditadura Militar. Em Canoas, todas as escolas municipais têm no currículo de História do Brasil, o tema: Golpe Militar.
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