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Paula Vinhas
Para a professora Ana Cristina Rangel, aprender matemática é vivenciar relações matemáticas na vida
As relações da matemática com os processos de aprendizagem, da leitura e da escrita, foram aspectos tratados na palestra "Construindo Conceitos Matemáticos", proferida pela professora Ana Cristina Rangel durante o Encontro de Abertura do Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade Certa (PNAIC) Canoas/2014. O evento lotou o salão de atos do UnilaSalle, na noite de quarta-feira (23), com a presença de centenas de alfabetizadores que participam desse programa na cidade.
Durante a abertura do evento, a vice-prefeita Beth Colombo observou à plateia as condições adversas do passado para o exercício da alfabetização. Emocionada, ela lembrou do início de sua atividade como alfabetizadora em comunidades do Mathias Velho, com 16 anos de idade. "Eu sou do tempo em que alfabetizar era um castigo. E eu alfabetizei durante todo o meu magistério. Hoje, mesmo com todos os recursos tecnológicos, se não houver a paixão do professor, não se consegue um bom resultado final.
Imaginário e realidade
A palestrante, que é pedagoga e mestre em Educação pela Ufrgs, acredita que a falta de formação contribui para tornar a matemática uma disciplina secundarizada no processo de alfabetização. "Antes, a matemática não tinha sentido com a vida; hoje, aprender matemática é vivenciar relações matemáticas na vida. Esta disciplina precisa do imaginário", sustenta. Ana coordena o curso de pedagogia da UniRitter e tem a autoria de vários livros sobre o ensino-aprendizagem de matemática nos anos iniciais. Ela também foi participante da construção dos cadernos de formação do PNAIC na área da matemática.
A plateia, quase totalmente feminina, ouviu atentamente a exposição da professora. "Temos que trabalhar com a realidade e com as condições das crianças. Esse curso está trazendo novas ideias e o material também contribui muito", afirma Márcia Peixoto, alfabetizadora há dois anos na EMEF Duque de Caxias, no Bairro Nossa Senhora das Graças.
Pacto
Para os gestores presentes à pelestra, é positivo notar que os professores assumiram o PNAIC, enquanto um pacto pela melhoria da educação. "Isso se reflete na dedicação às atividades", diz a secretária adjunta da SME, Janete Jachetti. "Prosseguimos com esse projeto desde 2013, por meio de formação, debates e oficinas. E isso é necessário porque a educação é atualização constante", acrescenta. "Nós temos o privilégio de ver o esforço que essas colegas têm feito para alfabetizar nossas crianças", observa a coordenadora do PNAIC-Canoas, professora Diovane Alves dos Santos.
A diretora de graduação do Unilasalle, professora Lúcia Regina Lucas da Rosa, destacou a importância do tema e da parceria para sua realização. "Estamos em uma sociedade em que o ser não-alfabetizado não tem vez. A cada vez que a Prefeitura nos honra com sua presença aqui, estamos aprendendo juntos."
Saiba mais
O Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade Certa (PNAIC), ao qual Canoas aderiu em 2012 , é um compromisso formal assumido pelos Governos Federal, do Distrito Federal, dos estados e municípios, de assegurar que todas as crianças estejam alfabetizadas em Língua Portuguesa e Matemática até os oito anos de idade, ao final do 3º ano do ensino fundamental. Em 2013, a abordagem temática do PNAIC foi na área da linguagem. Em abril daquele ano, tiveram início as atividades do PNAIC na cidade. Nesse ano, a ênfase está nas aprendizagens matemáticas.
O projeto contempla 277 professoras alfabetizadoras (1º ao 3º ano), de todas as escolas da rede, em formações quinzenais, de abril a dezembro. Além da capacitação, materiais e recursos, essas educadoras recebem uma bolsa do FNDE no valor de R$ 200,00. São doze turmas integradas por doze docentes cada, coordenadas por doze orientadoras de estudos, que recebem uma formação da Ufpel e bolsa do FNDE, no valor de R$ 765,00.
O curso envolve 160h (determinado pelo MEC), sendo 40h sobre linguagem e 120h sobre alfabetização matemática (84h são presenciais e 36h com trabalhos a distância nas turmas de alfabetização). Em dezembro deste ano será realizado um seminário, com mostra de trabalhos das professoras, realizados durante 2014 com as suas turmas. Outras informações, no site do PNAIC/MEC.
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