O mestre Beija-Flor e sua capoeira inclusiva encerraram, na tarde desta sexta-feira (20/10), no prédio 11 da Ulbra, as atividades do "4º Seminário Municipal de Formação - A Escola faz a Diferença". Promovido pela Secretaria Municipal de Educação e Cultura (SMEC), o último módulo abordou uma das ações desenvolvidas pelo projeto de "Inclusão através da Arte" e apresentação de alunos do Centro de Capacitação, Educação Inclusiva e Acessibilidade (CEIA). No final da programação, coordenadores da Associação de Deficientes Visuais de Canoas descortinaram ao público o trabalho desenvolvido no Núcleo de Cegos, através de parceria firmada com a Prefeitura de Canoas.
Na abertura, os mestres de capoeira Marta e Jean, discípulos de Beija-Flor, que dão continuidade ao trabalho do mestre sergipano em Canoas, trataram dos benefícios da capoeira junto aos portadores de deficiências múltiplas e até mesmo com graves problemas familiares. "Utilizamos a capoeira como instrumento de prática pedagógica, difusora de cultura, musicalidade e disciplina", explicou Marta. Para ela, o trabalho de inclusão é possível graças à afinidade e troca de experiências baseadas na afetividade. Entre os benefícios provenientes das aulas de capoeira estão a elevação da auto-estima, a superação de obstáculos, mais participação coletiva, melhora lingüística, da psicomotricidade, consciência corporal e temporal, entre outros aspectos. Atualmente, o projeto de Inclusão através da Arte leva mais qualidade de vida através da capoeira a 125 crianças e jovens, em aulas que acontecem no CEIA e na Associação de Moradores da Vila João de Barro.
Definindo-se como um facilitador da inclusão, há 11 anos mestre Beija-Flor utiliza a capoeira como instrumento de inserção na sociedade de pessoas cegas, surdas, com paralisia cerebral e demais portadores de necessidades especiais. "É um caminho sem volta. As pessoas acreditam na concepção, pois as coisas estão acontecendo de fato", diz o mestre, que já confirmou a eficácia de seu modelo de inclusão nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Maranhão e Minas Gerais. Atualmente, reside em Fortaleza, onde repete a mesma trajetória. De todos os lugares, Canoas destaca-se pela seriedade e vontade como o projeto é desenvolvido. "Todos estão sempre dispostos a estudar o trabalho, a analisar como está sendo feito e, se preciso, fazer as mudanças necessárias para seu melhor desenvolvimento", comemora Beija-Flor, que permaneceu por dois anos implantando o projeto no Município.
Promovido pela Assessoria de Políticas de Inclusão da SMEC, desde o início do mês de junho, o seminário recebeu diversos convidados que apresentaram temas como educação inclusiva, adaptação escolar em educação inclusiva, síndrome de Down, autismo, surdocegueira, psicomotricidade, surdez e a construção da sala de aula para todos.