Projeto-piloto da prefeitura está mapeando os comportamentos violentos nas escolas
A cultura da paz, que objetiva minimizar a violência nas escolas é tratada de forma inédita na rede municipal de ensino de Canoas. Através do projeto "Promovendo a Cultura de Paz nas Escolas", a Prefeitura Municipal está desenvolvendo pesquisa com professores e alunos para mapear os comportamentos violentos e agressivos existentes na escola e no bairro. A intenção é levantar os fatores que contribuem para o aumento da violência registrado nos últimos tempos. Além do material que está sendo coletado desde o início deste ano, serão desenvolvidos cursos de capacitação e ações efetivas com socialização de técnicas apropriadas para diminuir a violência em cada comunidade.
Neste primeiro momento, o projeto-piloto consiste na coleta de dados, através de vinte e cinco horas de Grupos Focais, realizada junto a professores de três escolas de Educação Infantil - Cara Melada, Meu Tesouro e Vó Corina - e aplicação, junto a professores e alunos, de cerca de mil questionários, em três escolas de Ensino Fundamental - Rubem Carlos Ludwig, Nancy Pansera e Rondônia. Tanto os Grupos Focais quanto os questionários trabalham com a percepção dos professores referente aos comportamentos agressivos dos alunos e a percepção dos próprios estudantes a respeito de si mesmos. "Queremos mapear a ocorrência da violência dentro das escolas e como elas (instituições) estão lidando com a questão: que tipo de atividades estão sendo feitas, quais os programas existentes, como envolver a discussão deste fenômeno integrado como o projeto político-pedagógico das escolas?", explica o coordenador do projeto, Jorge Vasconcellos, que é mestre em Psicologia Social e Psicologia da Personalidade, psicólogo e terapeuta cognitivo.
O projeto-piloto envolve 164 educadores e cerca de 480 alunos. "Além do mapeamento, queremos criar um instrumento contextualizado e adequado à demanda de cada escola e sua localidade, que possa ser utilizado pela comunidade educacional", frisa o coordenador, informando que, além de avaliar o comportamento violento nas escolas, a idéia é propor a conscientização, através de debates e elaboração de formas alternativas de lidar com os contratempos do dia-a-dia sem ser violento. "Precisamos oferecer ao estudante uma outra possibilidade de expressar a sua raiva, o seu medo, ensinando-o a ter controle sobre esses sentimentos e tornando-o multiplicador dessas ações", afirma o psicólogo. Desta forma, segundo ele, cria-se ambiente para o debate de outras maneiras de reagir e, assim, modificar algumas ações já consolidadas.
Para Fabiana Damasco, professora de 6ª da Escola Municipal Nancy Pansera, o projeto trabalha a auto-estima dos estudantes. "É um momento em que eles se aproximam do professor e sentem que alguém se preocupa com eles, não sendo observados somente como alunos, mas como pessoas inteiras, que é maneira como eles querem se sentir". Pensativo a cada questão, Vanderson Silva, 12 anos, aluno de Fabiana, valoriza os encontros do projeto que "ensinam a gente a ser alguém legal e amigo dos outros".
Após a finalização dos questionários, haverá a apropriação do projeto por parte da escola, sendo desenvolvido de forma adequada àquela comunidade e conforme os recursos existentes. "O Mathias Velho e o Guajuviras são bairros com histórias diferentes. Tem que haver o resgate dessa história para que a comunidade possa se sentir integrante desta trajetória e se reconheça como cidadão", sentencia Vasconcellos. A etapa final do projeto, a ser iniciada no próximo ano, consiste na capacitação dos educadores. Desenvolvido nas dependências da própria escola, o curso terá a duração de 20 horas e o conteúdo programático tratará da construção do projeto e a aplicação da metodologia. Outros aspectos a serem abordados dizem respeito ao encaminhamento para o Conselho Tutelar das crianças vítimas de violência.