Definidas pelos alfabetizadores, as novas diretrizes asseguram a implantação dos nove anos de Ensino Fundamental na rede municipal em 2007
A Secretaria Municipal de Educação e Cultura divulgou, na tarde desta quarta-feira (06/12), as primeiras diretrizes da proposta didático-pedagógica das séries iniciais a ser implantada nas escolas municipais a partir do próximo ano. As 12 proposições foram escolhidas, através de votação, durante o 1° Encontrão de Alfagrupos - grupos de formação continuada -, ocorrido em 30 de agosto, na Ulbra. É a primeira vez que a gestão da proposta é construída de acordo com a realidade do município, através do Projeto de Assessoria Pedagógica na Alfabetização: (re) Significando Práticas, Construindo Caminhos.
Segundo a coordenadora do Projeto de Assessoria Pedagógica na Alfabetização, Patrícia Moura Pinho, a definição das primeiras diretrizes é fundamental, principalmente, porque é a partir dela que os nove anos de Ensino Fundamental serão implantados. Apesar de a lei exigir que a adequação seja feita até 2010, o município se antecipou e estará implantando os noves anos nas escolas a partir do próximo ano. "Começamos a trabalhar nesta questão desde maio deste ano, através dos encontros dos Alfagrupos, diferenciando-nos dos demais municípios da região Metropolitana", aponta a coordenadora.
A construção da proposta didático-pedagógica está sendo realizada juntamente com os professores. Durante o ano, as discussões giraram em torno da busca de um melhor método de escolarização inicial, abordando a inclusão de crianças de seis anos no Ensino Fundamental, assim como as questões do alfabetizar e letrar, direcionando a escrita, a leitura e a oralidade para um enfoque cultural. Por meio dos encontros em Alfagrupos, as alfabetizadoras puderam compartilhar experiências, discutir e delinear linhas norteadoras para o trabalho didático na alfabetização. "Partindo da idéia de que toda alfabetizadora pode ser pesquisadora, apostamos em seu potencial investigativo e na sua capacidade de criar propostas didáticas que contemplem a alfabetização e o letramento, através da ludicidade, do movimento e da linguagem em suas múltiplas formas", acredita a coordenadora Patrícia. Para que a consideração se concretizasse, foi realizada capacitação continuada entre maio e novembro deste ano, alcançando mais de 60% dos docentes. "A expectativa é de que todos os alfabetizadores sejam beneficiados no ano que vem", prevê a coordenadora. Para setembro de 2007, está previsto o 2° Encontrão de Alfagrupos. Na ocasião, serão definidas as demais diretrizes que passarão a integrar a proposta iniciada neste ano.
Confira as primeiras novas diretrizes:
Diretrizes:
1 - Comprometimento com os processos de alfabetização e letramento, sendo que: alfabetizar significa dar acesso à tecnologia de leitura e de escrita, tornando os/as alunos/as alfabetizados/as; letrar significa introduzir as crianças em práticas sociais de leitura, de escrita e de oralidade, independentemente do domínio do código escrito.
2 - Compreensão de alfabetização e letramento como processos distintos, específicos, mas indissociados (SOARES 2003; 2005): a alfabetização se desenvolve no contexto de e por meio de práticas sociais de leitura e de escrita, isto é, através de atividades de letramento, e este, por sua vez, só pode desenvolver-se no contexto da e por meio da aprendizagem das relações fonema-grafema, isto é, em dependência da alfabetização.
3- Entendimento da linguagem como forma de interação humana, construída nas relações sociais, sendo o trabalho didático sustentado pela tríade leitura, produção textual e oralidade.
4 - Investigação obrigatória, no início do ano, feita pelo professor, das experiências extra-escolares de letramento de nossos/as aluno/as, ou seja, de suas vivências com a leitura, a escrita e a oralidade para além do ambiente escolar, a fim de que se possa conhecê-los e delinear pontos de partida para o trabalho pedagógico de significação do mundo letrado.
5 - Promoção de práticas contextualizadas de alfabetização e letramento, a fim de se oportunizar a reflexão sobre a linguagem em seus diversos usos através da ludicidade, da comunicação, da expressão, da criação e do movimento.
6 - Entendimento da alfabetização como processo, deslocando-se o olhar didático centrado em quem ensina para a perspectiva daquele que aprende, considerando-se as abordagens cognitivistas (psicogênese da língua escrita), bem como as contribuições dos estudos sócio-interacionistas da linguagem em seus múltiplos aspectos, como: a importância da mediação do outro e/ou da palavra; a abordagem simultânea de todas as unidades lingüísticas (letra-sílaba-palavra-frase-texto); a exploração de diversos materiais escritos; a leitura e a produção de textos reais para interlocutores reais; a consideração das variações lingüísticas.
7 - Desenvolvimento da consciência fonológica, sem assumir o formato de "treino", devendo beneficiar-se da contextualização que a escrita das palavras propicia ao aprendiz. (MORAIS, 2006)
8 - Formação contínua e específica em serviço para as alfabetizadoras da rede municipal de ensino, prevista em lei (LDBEN - 9.394/96-Art. 67, Incisos II e V), a fim de se promover a constante reflexão sobre as práticas desenvolvidas, o estudo e a produção de novos conhecimentos.
9 - Adequação das intervenções didáticas ao processo de construção dos/as alunos/as através da investigação das suas hipóteses sobre a leitura e a escrita, exigindo, portanto, uma avaliação qualitativa das aprendizagens.
10 - Criação de um ambiente alfabetizador como condição para a efetivação dos processos de letramento e alfabetização, sendo caracterizado pela variedade de materiais concretos, pela diversidade de portadores de texto e pelas diferentes situações de interação com a língua materna, nas suas formas oral e escrita.
11 - Favorecimento da interação entre os/as alunos/as na construção de diferentes conhecimentos para a efetivação das aprendizagens, sendo considerada um meio de intervenção e de socialização, o que implica a variação da organização da turma (grande grupo, pequenos grupos, trios, duplas), sem deixar de considerar também os momentos de atuação individual, tudo isso conforme o enfoque das propostas de atividades.
12 - O primeiro ano do Ensino Fundamental de nove anos não exige a alfabetização das crianças, mas o desenvolvimento das diversas expressões através das contribuições das áreas de conhecimento e da sua inserção em práticas intensas de letramento, não se tratando, portanto, de igualar seu plano de estudos ao último ano da pré-escola ou à primeira série do Ensino Fundamental de oito anos. (cfe MEC/SECRETARIA DE EDUCAÇÃO BÁSICA. Ampliação do Ensino Fundamental para nove anos: 3º Relatório do Programa. Maio, 2006)