Educar é muito mais do que cuidar. Este foi o tema do 4° Encontro de Abertura das Escolas Municipais de Educação Infantil, ocorrido nesta terça-feira (6/02), no auditório 11 da Ulbra. Promovido pela Secretaria Municipal de Educação e Cultura (SMEC), através do Departamento de Educação Infantil (DEI), o evento reuniu cerca de 450 participantes, entre diretores, educadores, atendentes e servidores. A programação contou com as palestras do psiquiatra Salvador Célia e da psicóloga Sônia Bagatini.
A abertura do evento ficou por conta do músico Cristiano Garcia, assegurando momentos de descontração e serenidade. Na seqüência, a diretora-geral da SMEC, Maria Helena Guedes, e o prefeito em exercício, Jurandir Maciel, deram as boas-vindas aos participantes. Durante a atividade, os palestrantes abordaram a importância do trabalho conjunto entre escola, pais e comunidade, promovendo uma reflexão do quanto o adulto é modelo e marca definitivamente a vida de uma criança.
O médico psiquiatra Salvador Célia deu início a primeira palestra. O especialista falou sobre a importância de cuidar da criança desde a concepção, até os aspectos que envolvem o restante da
família. Para Célia, a depressão materna leva os bebês a terem atrasos no desenvolvimento, na linguagem, na motricidade, déficit de atenção, problemas psicossomáticos de violência e de abuso de drogas na adolescência. "Temos que oferecer condições às famílias para que
possam melhorar as suas competências, dando atenção especial à mãe. Quando se tem um bom cuidador, um vínculo, tem-se uma base segura. E as pessoas que têm base segura são mais resistentes e adaptáveis à vida e aos riscos", destacou o psiquiatra.
A segunda etapa dos trabalhos, ministrada pela psicóloga Sônia Bagatini, tratou sobre a prevenção da violência, enfocando o papel do educador no desenvolvimento da criança, as marcas deixadas pelo adulto, o conceito de violência, sinais de risco e maneira de identificação da ocorrência de violência - sexual, física e psicológica. Na palestra, a psicóloga apontou como os cuidados podem identificar a problemática. "A criança pode demonstrar o problema através de sinais de depressão, apatia, agitação intensa, assim com faltando à escola", explica Sônia, que também alertou para o fato de que cabe à escola, em equipe, denunciar os maus tratos e a ocorrência de violência para o Conselho Tutelar, Juizado da Infância e Juventude e ao Ministério Público. Segundo ela, a exposição da violência através da mídia e internet é outro ponto crítico a ser amenizado pelos pais mas, principalmente, pelos educadores. "Esses profissionais têm que fazer o resgate da afetividade, cuidando, dando carinho e ouvindo o que a criança tem a dizer", relata a psicóloga.
Com início das aulas previsto para a próxima quinta-feira (8/02), o ano letivo nas escolas municipais de Educação Infantil terá como foco de trabalho a não-violência e a promoção da cultura de paz. Todo o grupo que integra as instituições de ensino contará com cursos, capacitações, textos e reflexões sobre o tema. O conceito do trabalho será de que é direito da criança ser protegida.