O Cine Clube SMEC, da noite de segunda-feira (27/08), foi uma lição de vida para dezenas de pessoas, que lotaram a sala de reuniões da Secretaria, no Conjunto Comercial Canoas, com a exibição e debate do filme Meu Pé Esquerdo, de Jim Scheridan. Integrando a programação da X Semana da Pessoa com Deficiência, a sessão esteve lotada e contou com a participação especial dos alunos da Educação de Jovens e Adultos (EJA) das escolas municipais Paulo VI, Thiago Würth e Escola Especial para Surdos Vitória.
Nesta terceira edição, o debate foi coordenado pela chefe da Assessoria de Políticas de Inclusão, da SMEC, Cristina Gobbi, que dividiu a mesa com gestores em educação inclusiva, como o presidente do Conselho Municipal dos Direitos da Pessoa Portadora de Deficiência (Comdip), Moisés de Carvalho; Jair Silveira e Valdir Ribeiro, representando a Associação Canoense de Deficientes Físicos (Acadef); Deloni Siqueira, do Núcleo de Produção Braile; Maria José Moura dos Santos, da Escola para Surdos Vitória; Rosaura Cornet, da Secretaria Municipal de Desporto; Elisabeth Regina da Silva, da Escola Ildo Meneghetti; e Paulo Roberto de Castro, do Senai.
No filme, que é baseado na vida real, Christy Brown (Daniel Day-Lewis), filho de uma humilde família irlandesa, nasce com paralisia cerebral. A doença lhe tira todos os movimentos do corpo, com a exceção do pé esquerdo. Com apenas este movimento corporal, Christy consegue, no decorrer de sua vida, se tornar escritor e pintor.
Segundo a coordenadora da mesa, entre as questões mais importantes tratadas no filme está o vínculo familiar, que pode ser decisivo para a auto-estima de quem é portador de deficiência. Para ilustrar, ela lembra que o personagem, apesar do difícil relacionamento com o pai, teve o apoio da mãe para seguir sua trajetória de sucesso como artista. Cristina acredita que "é importante fazer uma reflexão sobre as possibilidades que uma pessoa tem para desenvolver seus potenciais, pois é um corpo com deficiência, mas com uma mente capaz".
Recordando algumas cenas ricas em emoção, o presidente do Conselho Municipal dos Direitos da Pessoa Portadora de Deficiência (Comdip), Moisés de Carvalho; acredita que uma das mais importantes questões do filme refere-se ao fato de que "as pessoas pensam que os deficientes não sabem amar, e o personagem principal, não só sabia amar como brigava pelo seu direito de ter um amor, como qualquer outra pessoa". Na história, Crhisty, apesar de deficiente físico, se apaixonou e acreditou na entrega total ao sentimento, tanto que acabou se casando com uma enfermeira. "Ele foi o protagonista da sua própria vida, sabendo ser valorizado e respeitado dentro das suas limitações", complementa Carvalho.
Promovido pela Secretaria Municipal de Educação e Cultura, o projeto tem o objetivo de promover a reflexão, vivência e discussão de questões da educação e cultura, através de debates para o crescimento pessoal e profissional de ambas as áreas. Gratuita, a programação acontece sempre na última segunda-feira de cada mês e é aberta à comunidade. A próxima exibição está marcada para o dia 24 de setembro.