O 2° Encontrão de Alfagrupos, realizado nesta quarta-feira (17/10), reuniu mais de 200 alfabetizadores das escolas municipais, para tratar das últimas diretrizes que passam a formar a proposta didático-pedagógica dos nove anos de ensino fundamental, de acordo com a realidade do município. Promovido pela SMEC, o evento ocorreu na própria Secretaria, nos turnos da manhã e tarde, com debates, vivências, homenagem dos alunos às professoras e a votação das novas diretrizes e dos critérios de avaliação dos alunos. A implantação do Ciclo de Alfabetização e Letramento foi um dos pontos mais importantes definidos para o próximo ano.
Canoas é pioneira no Estado na implantação dos nove anos de ensino fundamental. Desde o ano passado, o novo modelo, estabelecido pela lei nº 11.274/2006, do Ministério da Educação, está presente em 40 das 42 escolas existentes na rede municipal de ensino. "Estamos reformulando o currículo pedagógico, que está sendo construído democraticamente, de baixo para cima, seguindo as experiências das próprias alfabetizadoras", destaca o secretário de Educação e Cultura, Marcos Zandonai, lembrando que as diretrizes embasam o ciclo de alfabetização de todas as escolas da rede municipal.
Segundo Patrícia Pinho, assessora pedagógica de alfabetização da pasta, a construção do novo modelo iniciou no ano passado, com as formações continuadas envolvendo os oito alfagrupos, cada um composto por cerca de 35 alfabetizadores. Desde lá, já foram definidas 12 diretrizes, votadas no primeiro encontro ocorrido no ano passado. "Hoje, o mais importante que foi definido é que, a partir de 2008, adotaremos o Ciclo de Alfabetização e Letramento, que determina que só haverá reprovação do aluno a partir do segundo ano", explica a coordenadora do evento. Outras importantes decisões ficaram por conta da definição das demais diretrizes e da forma de avaliação dos alunos.
A professora do 2° ano da Escola Municipal Gonçalves Dias, Aline Galio, aprova a forma como o modelo está sendo construindo. "É muito interessante participar de todo o processo, pois estamos discutindo a prática vivida por nós, enquanto prevemos como será feito o trabalho daqui para frente", relata a alfabetizadora. Outros momentos que integraram a programação ficaram por conta da colcha de retalhos produzida com desenhos e declarações sobre alfabetização dos integrantes dos alfagrupos, assim como de debates e da vivência corporal de "A Matroginástica e o vínculo família-escola", coordenada por Adriane Ferronatto.
Novas diretrizes que passam a integrar a proposta didático-pedagógica para alfabetização na rede municipal de ensino:
- Entendimento da linguagem como forma de interação humana, construída nas relações sociais, sendo o trabalho didático sustentado pela tríade leitura, produção textual e oralidade.
- Adequação das intervenções didáticas ao processo de construção dos/as alunos/as através da investigação das suas hipóteses sobre a leitura e a escrita, exigindo, portanto, uma avaliação qualitativa das aprendizagens.
- Promoção de estratégias que possibilitem uma aliança produtiva entre a família e a escola, por meio da parceria e da interlocução, a fim de favorecer o processo de alfabetização e letramento de nossos/as alunos/as.
- No caso de avanço do 1º para o 2º Ano do Ensino Fundamental de 9 anos, no período de investigação das práticas extra-escolares de letramento e dos conhecimentos de leitura e escrita, ou seja, antes do término do ano letivo, propiciar à criança um período de adaptação na nova turma, em torno de 15 dias, antes de efetivar documentalmente o avanço.
- Ampliação do significado da alfabetização e do letramento através do trabalho pedagógico com múltiplas linguagens, verbais e não-verbais, envolvendo a arte em suas diversas dimensões, como a música, o cinema, o teatro, a plasticidade, a literatura, a dança, bem como através do alfabetismo tecnológico. (Proposta de ação-problematização nº 2 - maio/1º Ano)
- Entendimento dos dois primeiros anos do Ensino Fundamental de 9 anos como um CICLO DE ALFABETIZAÇÃO E LETRAMENTO.